terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O Evangelho do Trabalho








O Padrão da Lei Moral - Lição 2 - 2015 - CPAD

LIÇÃO 02
O Padrão da Lei Moral

11 de janeiro de 2015
Professor Alberto

TEXTO ÁUREO


 “Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra” (Dt 4.13).



VERDADE PRÁTICA


As chamadas “lei moral”, “lei cerimonial” e “lei civil” são, na verdade, três partes de uma mesma lei que o Senhor Jesus já cumpriu na sua totalidade.

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO


“Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra” (Dt 4.13).


Nosso texto áureo está inserido no capítulo 4 do livro de Deuteronômio, onde Moisés exorta o povo a obediência.
Para análise do texto áureo apresento o comentário do teólogo Dr. Russell Norman Champlin:

A sua aliança. Está em pauta o Pacto Mosaico, cujo âmago são os Dez Mandamentos...
Os dez mandamentos. ...Os dez mandamentos foram repetidos em Deuteronômio 5.6-21.
E os escreveu. Yahweh escreveu sobre as tábuas de pedra com o Seu próprio dedo. O trecho de Êxodo 31.18 fala sobre isso em um sentido metafórico. Ver Deu. 9.10; Sal. 8.3 e Luc. 11.20. ...Por meio dessa expressão, o texto reivindica uma inspiração divina direta para a lei.
Em duas tábuas de pedra. Aqui, “pedra” provavelmente indica “mármore”, visto que esse material era e continua sendo comum no Sinai, embora o Targum de Jonathan diga safira. CHAMPLIN, Vol. 2, 1995, p. 772).



RESUMO DA LIÇÃO 02


O PADRÃO DA LEI MORAL
I. AS TÁBUAS DA LEI
1. Formato.
2. A divisão das tábaus.
3. A rebelião.
4.- Deus renova o concerto.

II. OS DEZ MANDAMENTOS
1. Origem do termo.
2. Classificação.
3.- Forma.

III. A QUESTÃO DOS PRECEITOS DA LEI
1. Uma só lei.
2. A lei do Senhor e a lei de Moisés.
3. A lei de Deus.

IV. A LEI E A GRAÇA
1. A transitoriedade da lei.
2. A graça.
3. Os mandamentos de Cristo.




LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Deuteronômio 9.9-11; 10.1-5

9.9 - Subindo eu ao monte a receber as tábuas de pedra, as tábuas do concerto que o SENHOR fizera convosco, então fiquei no monte quarenta dias e quarenta noites; pão não comi e água não bebi.
10 - E o SENHOR me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e nelas tinha escrito conforme todas aquelas palavras que o SENHOR tinha falado convosco no monte, do meio do fogo, no dia da congregação.
11 - Sucedeu, pois, que, ao fim dos quarenta dias e quarenta noites, o SENHOR me deu as duas tábuas de pedra, as tábuas do concerto.
10.1 - Naquele mesmo tempo, me disse o SENHOR: Alisa duas tábuas de pedra, como as primeiras, e sobe a mim a este monte, e faze uma arca de madeira.
2 - E, naquelas tábuas, escreverei as palavras que estavam nas primeiras tábuas que quebraste, e as porás na arca.
3 - Assim, fiz uma arca de madeira de cetim, e alisei duas tábuas de pedra, como as primeiras, e subi o monte com as duas tábuas na minha mão.
4 - Então, escreveu o SENHOR nas tábuas, conforme a primeira escritura, os dez mandamentos, que o SENHOR vos falara no dia da congregação, no monte, do meio do fogo; e o SENHOR mas deu a mim.
5 - E virei-me, e desci do monte, e pus as tábuas na arca que fizera; e ali estão, como o SENHOR me ordenou.

OBJETIVO GERAL
Apresentar a transitoriedade da Lei para a dispensação da Graça.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se aos que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo 1 refere-se ao tópico I com os seus respectivos sub tópicos.
I. Mostrar o formato da Lei no Pentateuco.
II. Explicar a “morfologia” dos Dez Mandamentos.
III. Especificar a unicidade da Lei de Deus.
IV. Comparar a Lei com a Graça.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado professor, como os alunos receberam a primeira aula?
E a reação deles com o novo projeto gráfico e pedagógico das nossas revistas?
Esperamos que essa experiência abençoe a sua vida e a dos seus alunos.
Deus o chamou para esta nobre obra!
O tema desta semana ainda faz parte da introdução aos Dez Mandamentos.
Por isso, é importante deixar claro para a classe a transitoriedade da lei do Antigo Testamento para a Nova Aliança.
O Senhor Jesus é a plena manifestação do Pai. Logo, se a Lei cumpriu todo o propósito nEle, em Cristo, estamos debaixo da lei do Amor, do tempo da Graça de Deus.

COMENTÁRIO
PONTO CENTRAL
Deus revelou a sua Lei aos homens através de Moisés, o seu servo. Mas a revelação plena consiste em Cristo, o Filho de Deus.

 INTRODUÇÃO
Desde o princípio do mundo todos sabem que é imoral matar, adulterar, furtar, dizer falso testemunho, desonrar pai e mãe, pois Deus colocou a sua lei no coração e na mente de todos os seres humanos desde o início (Rm 1.19,20).
Eram princípios éticos, e não um código de lei.
As dez proposições agora foram colocadas em forma de lei, como código, e entregues a Israel por intermédio de Moisés.


I. AS TÁBUAS DA LEI

1. Formato.
Era um jogo de duas tábuas com quatro faces.
Não é possível saber qual era seu tamanho.
A arca do concerto media um metro e dez centímetros de comprimento por 66 cm de largura e 66 cm de altura (Êx 25.10, NTLH).
Cada uma dessas tábuas não devia passar de 75 x 55 x 55 cm, considerando que elas foram colocadas na arca juntamente com a vara de Arão, que floresceu, e um vaso com o maná (Hb 9.4).
Contém 172 palavras.
Um homem podia transportá-las tranquilamente.

2. A divisão das tábuas.
Em nenhum lugar a Bíblia diz quantos e quais eram os mandamentos em cada uma dessas tábuas.
Escritores antigos, judeus e cristãos, como o pensador judeu Fílon de Alexandria (30 a.C. — 50 d.C.), o historiador judeu Flávio Josefo (37 — 100) e um dos pais da igreja, Irineu de Lião (125 — 202), dentre outros, diziam haver cinco mandamentos em cada tábua.
Segundo Calvino, eram quatro e seis, e não cinco e cinco.
Esta nova interpretação tem encontrado eco nos tempos modernos.

3. A rebelião.
Ao fim de quarenta dias, Moisés desce do monte com as tábuas da lei (Dt 9.11).
Nessa ocasião Israel havia se corrompido com o bezerro de ouro (Êx 32.7-9).
Ainda muito cedo na história, vemos como a natureza humana é inclinada ao pecado.
Onde está o compromisso do povo quando declarou na cerimônia do concerto: “Tudo o que o SENHOR tem falado faremos e obedeceremos” (Êx 24.7)?

4. Deus renova o concerto.
A revelação do Sinai prosseguiu após ser interrompida por causa da rebelião do bezerro de ouro.
Nessa ocasião, as tábuas do concerto foram quebradas (Êx 32.15-19).
Mas Deus perdoou o povo, e o concerto foi renovado (Êx 34.10,27).
Deus mandou Moisés lavrar novas tábuas, nas quais escreveu novamente as mesmas palavras (Êx 34.1; Dt 10.1).
Parece que isso foi resultado da intercessão de Moisés pelo povo (Êx 32.31-33).



SÍNTESE DO TÓPICO (I)
Os Dez Mandamentos têm caráter categórico e absoluto. Eles não contemplam o relativismo moral.


II. OS DEZ MANDAMENTOS

1. Origem do termo.
A expressão “dez mandamentos”, em hebraico asseret hadevarim, significa literalmente “as dez palavras” e só aparece três vezes na Bíblia (Êx 34.28; Dt 4.13; 10.4).
A Septuaginta traduziu por dekalogos, “decálogo”, a partir de dois termos gregos: deka, “dez”, e logos, “palavra”.
O sentido de “palavra” nesses idiomas é amplo e indica “discurso, pronunciamento, proposição”.
O termo hebraico específico para “mandamento” é mitsvah, usado também em referência aos Dez Mandamentos (Êx 24.12).
A Septuaginta utiliza o termo entolé, a mesma palavra usada no Novo Testamento (Mt 19.17-19).

2. Classificação.
As autoridades religiosas de Israel sempre classificaram os Dez Mandamentos em dois grupos:
teológico e ético;
vertical e horizontal;
relação do ser humano com Deus e com o próximo.
Os primeiros mandamentos são teológicos e se resumem no primeiro e grande mandamento (Dt 6.5; Mt 22.37,38; Mc 12.30; Lc 10.27).
Os da segunda tábua são éticos, e consistem em amar o próximo como a si mesmo (Lv 19.18; Mt 22.39; Mc 12.31).

3. Forma.
A forma dos Dez Mandamentos é geralmente chamada de categórica ou absoluta.
É uma das formas de lei que apresenta um estilo sóbrio e de estrutura rítmica, assonante, paralela e poética. Isso facilita a memorização e é apropriado para a leitura litúrgica e em grandes eventos religiosos (Dt 31.11).
As proibições são sem concessão; não admitem exceção.
Aqui temos oito proibições absolutas com a negação hebraica, lo, “não”, forma incondicional, em tempo verbal que nas línguas ocidentais é chamado de “futuro”.
Os outros dois mandamentos dados a Israel são positivos: guardar o sábado e honrar pai e mãe (Êx 20.8-12; Dt 5.12-16).

SÍNTESE DO TÓPICO (II)
A Lei é chamada de “Lei do Senhor” porque veio diretamente de Deus; e de Moisés, porque ela foi mediada pelo legislador de Israel.
 

III. A QUESTÃO DOS PRECEITOS DA LEI
1. Uma só lei.
Há uma corrente de interpretação que ensina ser o Decálogo a lei moral, enquanto a parte da legislação mosaica que trata das cerimônias de sacrifícios e festas religiosas, entre outras, é chamada de lei cerimonial.
Esse pensamento nos parece inconsistente, pois não é ensino bíblico nem os judeus jamais dividiram sua lei em moral e cerimonial.
Ao longo da história, eles observaram o sábado e a circuncisão com o mesmo cuidado.
Jesus disse que a circuncisão está acima do sábado (Jo 7.22,23).

2. A lei do Senhor e a lei de Moisés.
O que de fato existem são preceitos morais, cerimoniais e civis, mas a lei é uma só.
É chamada de lei do Senhor porque veio de Deus, e de lei de Moisés porque foi ele o mediador entre Deus e Israel (Ne 10.29).
Ambos os termos aparecem alternadamente na Bíblia (Ne 8.1,2,8,18; Lc 2.22,23).
A cerimônia dos holocaustos, a circuncisão e o preceito sobre o cuidado dos bois são igualmente reconhecidos como lei de Moisés (2Cr 23.18; 30.16; At 15.5; 1Co 9.9).

3. A lei de Deus.
A lei de Deus é todo o Pentateuco; trata-se de um livro, e não meramente das palavras escritas em tábuas de pedra (Js 24.26; Ne 8.8,18).
Isso precisa ficar muito claro porque certos grupos sectários argumentam: “Você guarda a lei de Deus?”.
Isso por causa do sábado, e transmite a falsa ideia de que a lei de Deus se restringe aos Dez Mandamentos.
Se eles guardam a lei de Deus, precisam observar os seus 613 preceitos; do contrário, estão sob a maldição (Gl 3.10).



SÍNTESE DO TÓPICO (III)
A Lei é chamada de “Lei do Senhor” porque veio diretamente de Deus; e de Moisés, porque ela foi mediada pelo legislador de Israel.


IV. A LEI A GRAÇA

1. A transitoriedade da lei.
O Senhor Jesus cumpriu toda a lei, os preceitos morais, cerimoniais e civis (Mt 5.17,18).
O apóstolo Paulo é muito claro quando fala que “o ministério da morte, gravado com letras em pedras [...] era transitório” (2Co 3.7,11).
No entanto, a verdade moral contida no sistema mosaico, como disse o teólogo Chafer, “foi restaurada sob a graça, mas adaptada à graça, e não à lei”.
Isso diz respeito a sua função e não compromete a sua autoridade como revelação de Deus e parte das Escrituras divinamente inspiradas (2Tm 3.16,17).

2. A graça.
O Senhor Jesus e o apóstolo Paulo citaram Levítico 18.5 como meio hipotético de salvação pela observância da lei (Mt 19.17; Gl 3.11).
Mas ninguém jamais conseguiu cumprir toda a lei, exceto Jesus.
O mais excelente dos rabis de Israel só conseguiu cumprir 230 pontos dos 613 preceitos da lei.
A lei diz “faça e viva”, no entanto, a graça diz “viva e faça”.
Por esta razão os cristãos estão debaixo da graça, e não da lei (Rm 6.14; Gl 3.23-25).
A lei não tem domínio sobre nós (Rm 7.1-4).

3. Os mandamentos de Cristo.
Perguntaram a Jesus o que se deve fazer para executar as obras de Deus.
A resposta não foi guardar o sábado, nem a lei e nem os Dez Mandamentos, mas exercer fé em Jesus (Jo 6.28,29).
Essa doutrina é ratificada mais adiante (1Jo 3.23,24).
Jesus falou diversas vezes sobre o novo mandamento, a lei de Cristo, o amor operado pelo Espírito Santo na vida cristã (Jo 13.34; 14.15, 21; 15.10).
O Senhor Jesus não incluiu o sistema mosaico na Grande Comissão.
Ele disse para “guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.20).
O mandamento de Cristo é a fé nEle, é a lei do amor (Rm 13.10; Gl 5.14) e não a letra da lei.
Quem ama a Cristo tem a lei do Espírito em seu coração.
 

SÍNTESE DO TÓPICO (IV)
Em Jesus Cristo, toda a lei foi cumprida, isto é, todos os preceitos morais, cerimoniais e civis. Hoje, vivemos sob a Graça de Deus.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A tendência humana é se esforçar para merecer a salvação, por isso ainda há aqueles que se ofendem com a mensagem de que a salvação é pela fé em Jesus, sem as obras da lei (Gl 2.16).
O que tais pessoas querem é fazer do cristianismo um remendo de pano novo em veste velha (Mt 9.16; Mc 2.21).


BIBLIOGRAFIA
ZUCK, Roy (Ed.). Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008.
Revista Ensinador Cristão. CPAD.
FONSECA, Alberto Alves da. O Povo de Israel – Uma Perspectiva Bíblica e Histórica. SP: Clarim – Gráfica e Carimbos, 2008.


PARA REFLETIR
A respeito dos Dez Mandamentos:

É correto afirmar que eles foram abolidos como lei?
O Decálogo é a Lei de Deus, assim como todo o Pentateuco. É chamado de Lei de Deus porque veio do próprio Senhor. Jesus Cristo cumpriu toda a Lei, e hoje ela está gravada, não em pedras, mas no coração daqueles que foram alcançados pela graça de Deus (2Co 3.7,11).

Devemos guardar os Dez Mandamentos como os judeus guardam?
Os crentes não devem guardar os mandamentos como se houvesse apenas esses. Mas devem guardar no coração o novo mandamento de Cristo: a Lei de Cristo, o amor operado pelo Espírito Santo na vida cristã (1Jo 3.23,24). Assim cumpriremos todos os mandamentos.

Se Jesus cumpriu toda a Lei, devemos observar os Dez Mandamentos?
Quando perguntaram a Jesus o que se deveria fazer para executar a obra de Deus, Ele não disse que deveríamos guardar o sábado ou os Dez Mandamentos, mas exercer a fé nEle (Jo 6.28,29). Isto é, observando a lei de Cristo, o amor operado pelo Espírito.

O que é preciso fazer para executar as obras de Deus?
Exercer a fé em Cristo e cumprir a lei do amor (Rm 13.10; Gl 5.14).

A salvação se conquista por méritos humanos?
Não. É pela graça de Deus, por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor (Ef 2.8-10).

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
O padrão da lei moral
Retomando a explicação do artigo anterior, cremos na Bíblia como Palavra inteira de Deus que, através dos Dez Mandamentos, indicou o caminho para a vida a partir do povo hebreu (em 1250 a.C.). Foi um reinício da revelação divina, passando pelos mandamentos, pela monarquia, pelos santos profetas, pelo nascimento e vida de Jesus de Nazaré, a imagem plena de Deus; pela ressurreição de Cristo e pela proclamação dos apóstolos. Poderíamos então enumerar os objetivos do Decálogo para o povo hebreu, bem como para o mundo:
1. Para nunca mais haver escravidão;
2. Para a preservação da liberdade do povo;
3. Para os hebreus viverem a justiça de Deus e a comunhão com o próximo;
4. Para ser um povo organizado, tornando-se o sinal de Deus para o mundo;
5. Para uma comunidade organizada por Deus ser a resposta divina para o clamor dos povos;
6. Para o povo ser o anúncio do próprio Deus, a amostra daquilo que Deus quer para todo ser humano;
7. Para o povo viver a dimensão perfeita do amor a Deus e ao próximo.
As Escrituras dizem que Deus entregou a Lei a Moisés objetivando conservar a liberdade do povo hebreu. Jesus Cristo, o Seu Filho, não anulou a Lei de forma alguma, mas a completou e a reafirmou (Mt 5.17), dizendo mais: ”O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12.29-31). Ora, esses dois grandes mandamentos são o resumo fiel do “Decálogo”.

O problema da lei hebreia, no tempo de Jesus, foram os maus doutores ensinarem os Dez Mandamentos ao povo, mas sem observá-los. Eles repetiam literalmente a letra, no entanto, matavam o “espírito” da lei (Mt 23.1-39). Os maus fariseus e escribas não se preocupavam com o clamor do povo, o sofrimento das pessoas e a necessidade espiritual do pecador. Simplesmente repetiam a lei como um mantra, mostrando um Deus irado, sem compaixão para com as pessoas. Da manutenção da liberdade, o povo judeu voltou à escravidão, agora não do Egito, mas a da religião sem Deus. Por isso a letra (a lei escrita) mata, mas o Evangelho, que é “espírito e vida”, vivifica o pecador (Jo 6.63; 2Co 3.6).

O Triunfo do Evangelho na Vida de um Muçulmano

O Triunfo do Evangelho na Vida de um Muçulmano

Você está aqui:o
OTriunfoDoEvangelho
Ela era uma profissional muito atraente, entre seus 20 e 30 anos. Era claro que respondera ao convite de um amigo para vir à discussão sobre islamismo. Permaneceu de pé pacientemente, acompanhando cada palavra, enquanto os outros faziam perguntas e saiam em fila. Por fim, a multidão diminuiu, e ela me agradeceu tímida e educadamente pela palestra.
Então, o olhar. Eu já tinha visto aquele olhar muitas vezes antes. Num instante, uma alegria antes proibida, mas agora inefável, rompeu em sua face. Lágrimas rolaram, mas sua face brilhava de alegria. Seus olhos ficaram levemente arregalados de entusiasmo. Ela me disse que sua família era do Irã. Agora, ela vivia e trabalhava nos Estados Unidos, com seus pais. E, como é costume, viveria sob o cuidado deles até que casasse. Mas ela tinha um segredo. Nas últimas duas semanas, ouvira o evangelho de Jesus Cristo e agora o amava como seu Salvador.
“Eu não sei como dizer a meus pais ou o que acontecerá. Mas nunca fui tão feliz em minha vida. Não posso explicar… sinto tanta alegria.” Mais lágrimas. Mais face radiante de alegria.
O evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16) – e também dos muçulmanos!
Às vezes, acho que os cristãos duvidam desta verdade maravilhosa – o evangelho é o poder triunfante de Deus na vida de qualquer pessoa e de todos que creem. Às vezes, parece que pensamos que certas pessoas estão fora do alcance do evangelho. Certamente, muitas vezes damos a impressão de que pensamos que os muçulmanos estão além do alcance do evangelho e são impermeáveis ao poder do evangelho.
No entanto, em contrário a nossa incredulidade, o evangelho de Jesus Cristo é realmente triunfante no coração, mente e vida de inúmeros homens e mulheres de diferentes contextos muçulmanos. Eu sou uma dessas pessoas.
Gastei parte significativa de minha como um perdido. Sendo separado de Deus por causa de meu pecado, me dediquei a muitas atividades, pensamentos e atitudes contrárias ao evangelho. Entretanto, isto nunca foi mais verdadeiro do que quando vivi como um muçulmano praticante.
Eu me converti ao islamismo quando estava no segundo ano de faculdade. Nos anos anteriores à minha conversão, cresci muito irado com a vida. Meu pai nos abandonou quando eu tinha cerca de 14 anos. Fiquei irado com ele. Pouco antes de meu terceiro ano de Ensino Médio, fui preso, e muitos de meu amigos se afastaram de mim. Fiquei irado com eles também. Entre meu último ano de Ensino Médio e o primeiro ano de faculdade, descobri radicais dos anos 1960, como Malcom X, Amiri, Barak e muitos outros. Eles me tornaram ainda mais irado. Quando li a história de africanos e afro-americanos, fiquei irado com as pessoas brancas em geral. Quando terminei meu ano de calouro na faculdade, eu era um militante jovem e furioso que ardia não apenas de ira, mas também de ódio.
Foi o islamismo que prometeu uma maneira de manusear e usar aquele ódio. Isso é o que foi prometido. Mas, em minha experiência, o que ele me deu foi bem diferente.
Minha ira e ódio para com os brancos achou um alvo representativo fácil e supremo em um Jesus de cabelos loiros e olhos azuis. Embora expressasse respeito pelo “Jesus real”, que era um profeta de Alá, eu era inimigo da cruz. E me deleitava em me opor a alunos cristãos no campus e em lançar qualquer argumento que eu pudesse contra o cristianismo. Eu negava a ressurreição e reprovava como tolos aqueles que criam na ressurreição. O cristianismo era um grande estratagema elaborado pelos seguidores enganados e enganadores do “Jesus real”. Eu era zeloso pelo islamismo, “a religião perfeita para o afro-americano”.
Era o Ramadã, um tempo de grade disciplina espiritual, oração e estudo. Eu me levantava antes do nascer do sol para ler o Alcorão. A manhã ainda vestia o torpor do sono. Acomodei-me em minha cadeira. E, enquanto eu lia o Alcorão, uma firme consciência se estabeleceu em mim: o islamismo não pode ser verdadeiro.
Como um seguidor do islamismo, eu havia devorado tanto do Alcorão quanto eu pudera. Passagens que me ajudariam a falar com cristãos sobre suas “opiniões erradas ou enganadas” eram de interesse especial. Isso significou que eu tive de considerar os ensinos do Alcorão sobre Jesus. Mas o que descobri não podia ser verdadeiro e, ao mesmo tempo, o próprio islamismo ser coerente.
O islamismo ensinava que Jesus nascera de uma virgem sem nenhum pai terreno (Sura 3:42-50). O Alcorão ensinava claramente que a Torá, os salmos de Davi e os evangelhos eram livros revelados por Alá (Sura 4:163-65; 5:46-48 e 6:91-92). E, em muitas passagens, o Alcorão – escrito aproximadamente 600 anos depois de Cristo e os apóstolos – expressava tal confiança nestas seções da Bíblia, que chamava as pessoas a julgarem a verdade usando a Bíblia (Sura 3:93-94; 5:47 e 10:94). E em nenhuma de suas passagens o Alcorão ensina que a Bíblia foi corrompida ou mudada, mas apenas que alguns encobriram seu significado, entenderam-na de modo errado ou esqueceram a sua mensagem. Portanto, para mim, qualquer muçulmano coerente e intelectualmente honesto tinha de fazer um esforço para entender os ensinos da Bíblia.
E, quando fui à Bíblia – supondo, primeiramente, que acharia coisas que confirmariam ou apontariam para o Alcorão e, depois, ficando desesperado para achar as supostas profecias que apontariam para Maomé – todas as minhas suposições foram frustradas e não tinham fundamento. A afirmação do islamismo de ser o final e o selo de todas as religiões e de seu profeta ser o final e o selo de todos os profetas simplesmente não parecia ser verdadeira.
Como poderia Jesus ser nascido de uma virgem, como o Alcorão ensinava, e não ser o Filho de Deus, como os evangelhos ensinam tão claramente? Como poderia o tema de expiação e sacrifício, tão evidente tanto na lei de Moisés quanto nos evangelhos, desaparecer no Alcorão? E o mais problemático de todos: como a minha impiedade e meu pecado poderiam ser expiados sem um sacrifício perfeito em meu favor?
Meu pecado era real, e o islamismo não oferecia nenhuma solução para ele.
O islamismo me constrangera a crer que todas as necessidades e questões eram respondidas por seu sistema de leis e rituais. Eu havia crido na explicação do islamismo quanto ao desenvolvimento da religião e da sociedade – “o judaísmo é o ensino fundamental, o cristianismo, o ensino médio, e o islamismo, a universidade”. Uma teologia e uma ideologia falsas haviam dominado minha vida.
Quando eu sai deste tempo de estudo e exploração, fiquei covencido de que o islamismo não era verdadeiro. Mais do que isso, eu estava quase certo de que todas as religiões eram falsas. Em vez de me voltar para Cristo, eu me voltei para a busca do mundo e decidi crer em mim mesmo e não em Deus.
Em meio a esta busca idólatra, o Senhor me interceptou e me humilhou quando minha esposa perdeu o nosso primeiro filho. Sentei-me em depressão branda para assistir à televisão. Por razões que eu não pude explicar na época, me sentei fascinado enquanto um pregador de televisão expunha 2 Timóteo 2.15. Não era uma mensagem especialmente evangelística, mas vida e poder encheram aquele sermão sobre estudar a Palavra de Deus e hábitos mentais cristãos.
Por fim, a minha esposa e eu visitamos a igreja onde aquele pastor servia. Estávamos a sete ou oito fileiras do púlpito. Num culto de igreja lotado com umas sete ou oito mil pessoas, parecia que as únicas pessoas presentes eram o pregador e eu mesmo.
O sermão, baseado em Êxodo 32, era intitulado “O que é necessário para que você fique irado?” Imagine isso. Havendo sido consumido de ira por mais de uma década, a primeira vez que vou a uma igreja desde que me tornara muçulmano, o pregador fala sobre ira. Mas não foi o que eu pensava. O sermão examinou cuidadosamente o pecado, a idolatria e as suas consequências. O pastor desafiou a congregação a desenvolver uma indignação santa e justa para como o pecado, a odiar o pecado e a voltar-se para Deus.
Fiquei impactado quando a santidade e a justiça de Deus foram explicadas a partir das Escrituras. Fiquei estranhamente consternado e alerta, realmente despertado, quando o pastor aplicou a doutrina do pecado aos seus ouvintes. Eu era condenado e culpado diante daquele Deus santo que julga toda impiedade.
Então, com linguagem linda e clara, o pregador exaltou a Jesus. Ele era o Cordeiro de Deus que devemos contemplar! Era o sacrifício predito no Antigo Testamento e imolado no Novo. Nele havia redenção. O impecável Filho de Deus viera realmente ao mundo para salvar todo que crê – até um ex-muçulmano que era um inimigo da cruz declarado e resoluto!
“Arrependa-se e creia para o perdão de seus pecados”, foi o convite. Em bondade profusa, Deus converteu a mim e a minha esposa do pecado para Jesus Cristo, em fé, naquele dia. Literalmente, da noite para o dia, Deus destruiu misericordiosamente a fortaleza de anos de ira e ódio. O evangelho triunfou onde nenhum outro poder havia triunfado ou poderia triunfar. O evangelho de Jesus Cristo me libertou das garras do pecado e das trevas do islamismo.
O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Vi esse poder na face daquela jovem iraniana naquele dia. Tenho visto esse poder manifestado na face de muitas pessoas de contextos muçulmanos na América e no Oriente Médio. Eu mesmo tenho experimentado e recebido esse poder por meio da fé em Cristo.
E creio que este mesmo evangelho em suas mãos produzirá a mesma conversão e vida nova em pessoas muçulmanas que o Senhor colocar em seu caminho. Esta é a razão por que este livro foi escrito: incentivar cristãos comuns no extraordinário poder do evangelho.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

AVISO AOS IRMÃOS

Vejam os blogs do Beto Araújo:


viadidaqueemfoco.blogspot.com.br

viadidaque.blogspot.com.br



Recebemos perguntas de nossos irmãos e remeteremos respostas pelos blogspot e poderá de ser compartilhado por todos.




Missão Koinonia de Comunicação Cristã

Evangelista ALBERTO ARAÚJO



quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A FÉ SE MANIFESTA EM OBRAS - 7/3/2014

LIÇÃO 07: A FÉ SE MANIFESTA EM OBRAS


ALBERTO ARAÚJO
alberttoaraujo.blogspot.com.br

TEXTO ÁUREO

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16).


VERDADE PRÁTICA


Uma vez salvos em Cristo, o amor, materializado por meio das boas obras, torna-se a nossa identidade cristã.








COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO


“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16).

O contexto do nosso texto áureo está inserido no sermão do Senhor Jesus na montanha registrado em Mateus 5 a 7. Nosso texto áureo está na parte que Ele exorta seus discípulos a ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16). O teólogo e escritor R.N. Champlin comentando esse versículo, assim declara:

“Assim brilhe também a vossa luz”. Esse versículo considera os crentes em geral como luzes. A luz do cristão deve ser constante como a luz da candeia, porque sem esse tipo de luz não haveria luz no mundo, e nem mesmo na casa de Deus, ou no escabelo de Deus, que é a terra (Mt 5:35 e Is 66:1). A luz do crente são suas boas obras... Essas boas obras redundam em glória a Deus. Remover a luz e, portanto, a glória de Deus, é algo seríssimo. “Vosso Pai”. Esta é a primeira vez que, nas palavras de Jesus, vemos o ensino de que Deus é Pai. Essa ideia era bem comum entre os judeus, e assim sendo, Jesus não estava introduzindo alguma doutrina nova, mas utilizando-se da compreensão que o povo já tinha para dar ênfase à necessidade de deixar a luz de Deus brilhar em suas personalidades. Deus Pai tem prazer nas boas obras de seus filhos, porque tais obras provam que os discípulos são filhos de Deus, e também revelam algo sobre a natureza de Deus. Jesus foi o exemplo mais desenvolvido e elevada da natureza de Deus que já houve sobre a terra. Os rabinos usavam com frequência a frase: “Nosso e vosso Pai, que está nos céus”... Nos escritos judaicos (Bammidabar Rabba, s.15)., lemos estas palavras: “Os israelitas disseram ao santo e bendito Deus: Tu mandas que acendamos lâmpadas para Ti; mas Tu és a Luz do Mundo e contigo mora a luz. O Santo Deus replicou: Não ordeno isso porque precise de luz, mas para que vós reflitais luz sobre mim, como eu vos tenho iluminado. Assim o povo poderá dizer: Eis como os israelitas O ilustram, isto é. Aquele que os ilumina à vista de toda a terra” (CHAMPLIN, p. 308, 1995).

           








RESUMO DA LIÇÃO 07


A FÉ SE MANIFESTA EM OBRAS

I- DIANTE DO NECESSITADO, A NOSSA FÉ SEM OBRA É MORTA
1. Fé e obras.
2. O cristão e a caridade.
3. A “morte” da fé.

II- EXEMPLOS VETEROTESTAMENTÁRIOS DE FÉ COM OBRAS (Tg 2.18-25)
1. Não basta “crer”.
2. Abraão.
3. Raabe.

III – A MATÁFORA DO CORPO SEM ESPÍRITO PARA EXEMPLIFICAR A FÉ SEM OBRAS (Tg 2.26).
1. Uma analogia do corpo sem espírito.
2. Da mesma maneira: fé sem obras é morta.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Tiago 2.14-26
14 Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo?
15 E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, 
16 e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?
17 Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.
18 Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
19 Tu crês que há um só DEUS? Fazes bem; também os demônios o crêem e estremecem.
20 Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?
21Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? 
22 Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, 
23 e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em DEUS, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de DEUS.
24 Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.
25 E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho?
26 Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.

INTERAÇÃO
Imagine um presidente que não governa?
Um juiz que não julga?
Um advogado que não advoga?
Um médico que não clinica?
Um policial que não protege?
Um professor que não ensina?
Um cientista que não pesquisa?
Um arquiteto que não desenha?
Um filósofo que não filosofa? Imaginou?
Assim é o crente que não produz boas obras. Que não ama!
E como estudamos na epístola de Tiago, as boas obras são obras de misericórdia, isto é, ações encharcadas no amor.
A carta de Paulo aos Romanos nos diz que "quem ama aos outros cumpriu a lei", pois "o amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (13.8,10).

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Destacar que a fé e as obras são relacionais.
Apontar os exemplos de fé com obras no Antigo Testamento.
Compreender a metáfora do corpo sem espírito proposta por Tiago.











COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Palavra Chave
MANIFESTAÇÃO: Ato de dar a conhecer, revelação, expressão.

A lição de hoje trata da fé manifestada através das obras (Tg 2. 14 - 26).
Além de tal assunto ser imprescindível à vida cristã -, pois, sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11. 6) -, é preciso reafirmar que o crente é salvo pela graça, por meio da fé (Ef 2. 8, 9).
Devendo o cristão andar por ela (2 Co 5. 7), tendo em vista de que tudo aquilo que não é de fé, culmina em pecado (Rm 14. 23).
Entretanto, a fé não é uma fuga da realidade.
Por isso, Jesus ensinou que a fé deve ser praticada (Mt 5. 22 - 48).
Nesta lição, igualmente, Tiago mostra que uma fé viva é autenticada pela produção de boas obras, pois não há antagonismo algum entre ambas - fé e obras.
Conforme aprenderemos, na vida cristã, fé e obras não são distintas, mas complementares.

I. DIANTE DO NECESSITADO, A NOSSA FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tg 2.14-17)
1. Fé e Obras.
Ao lermos desavisadamente essa Epístola de Tiago podemos até afirmar que ela está contradizendo os ensinos do apóstolo Paulo quanto a doutrina da salvação pela (Rm 4. 1 - 6).
Se cuidadosamente estudarmos, veremos que os ensinos de Paulo e Tiago não se contradizem em hipótese alguma.
Ao escrever sobre as obras, Paulo está se referindo à Lei - o orgulho nos rituais judaicos e na obediência a um sistema de regras religiosas - enquanto que Tiago, às obras de misericórdia ao próximo necessitado.
Tiago não se opôs ao apostolo dos gentios.
Enquanto Paulo anunciava ao pecador a salvação pela graça mediante a fé (Ef 2. 8), o meio-irmão do Senhor doutrinava os crentes sobre a impossibilidade de vivermos a fé de Cristo sem manifestar os frutos de arrependimento (Mt 3. 8).
Preocupando-se com a causa da salvação e com o efeito dela.

2. O cristão e a caridade.
"A fé não acompanhada de ação é morta", declara Tiago.
"Fazer, realizar e agir" são atitudes que integram a religião pura e imaculada: ajudar os necessitados nas suas necessidade.
Quando não haver estes frutos a fé é morta.
E para ilustrar essa verdade Tiago inquire (questionar, indagar)retoricamente os servos de Deus dizendo que se oferecermos, a um irmão ou a uma irmã, que estejam padecendo necessidade, apenas uma palavra de "incentivo" e não lhes dermos alguma coisa de que necessitam, isso não resolverá o problema.
Oque precisa ser feito diante de alguém  necessitado?
É só orar e despedi-lo sem nada? agindo dessa maneira estamos praticando uma religião falsa e a nossa oração não servirá para nada.
Em (1 Jo 3. 17, 18), João ensinou que, a pessoa não se compadecendo dos necessitados este não tem o amor de Deus em sua vida.
Esse aspecto já havia sido ensinado por Jesus ao dizer que, no socorro àqueles que precisam de ajuda, acolhemos o próprio Senhor (Mt 25. 40). Verdade!
 
3. A "morte" da fé.
Essa concepção da fé apresentada por Tiago em sua Epístola é a confiança em Deus: "tu crês que há um só Deus?" (Tg 2. 19).
As obras que Tiago fala, consistem na expressão da vontade de Deus, ou seja, em amar o próximo, visitar os enfermos, defender seus direitos, e praticar a justiça desses pobres, etc.
Esta é a fé vive em Deus!
Então a Epístola nos ensina que se amamos o outro, não amaremos segundo as nossas concupiscências, mas segundo o amor de Deus por nós.
É que este amor nos estimula a amar o ser humano independentemente de quem ele seja.
Ame o próximo e mostrará uma fé viva.
Não ame, e se confirmará: a tua fé está morta.

SINOPSE DO TÓPICO (I)
Tiago nos mostra que diante de uma necessidade do próximo, o crente não pode espiritualizar a sua necessidade material, antes deve suprí-la. Do contrário, não há fé.

II. EXEMPLOS VETEROTESTAMENTÁRIOS DE FÉ COM OBRAS (Tg 2.18-25).
1. Não basta “crer”.
A crença teórica em Deus não significa muita coisa afirma Tiago.
Os demônios, igualmente, crêem e estremecem diante do Altíssimo (Lc 8. 26 - 33; Mc 5. 1 - 10).
Em certas palavras, eles "crêem", ou sabem, que Jesus é o Filho de Deus.
Entretanto, a confissão dos demônios não implica um compromisso de obediência a Deus.
A verdadeira fé, porém, manifesta-se na prática coerente do servo de Deus com tudo aquilo que ele diz crer.
O autor da epístola está demonstrando que a fé não consiste em um discurso, mas em convicção autêntica, seguida da prática em obras de amor, pois é justamente isso que Jesus fez e ainda faz (At 10. 38; Hb 13. 8).
Tiago utilizou Abraão e Raabe do Antigo Testamento exemplificando esse ensino da fé compromissada com a ação.

2. Abraão.
Conhecido como "o pai da fé", obedeceu a Deus quando lhe foi pedido seu amado filho, Isaque.
O patriarca já havia demonstrado confiança em Deus quando decidiu, por um ato de fé e obediência, partir para uma terra desconhecida (Hb 11. 8, 9).
Observe que, Abraão estava diante de uma prova de fé ainda mais dura: imolar seu filho amado e oferecê-lo em sacrifício a Deus.
Uma fé levada até ás últimas consequências!
Essa obra do patriarca demonstrou a sua confiança em Deus independente das circunstâncias.
E hoje, nós, como estamos diante de Deus?
Cremos quando vai tudo bem, e está tudo certo, ou cremos apesar das circunstâncias?

3. Raabe.
Outro exemplo apresentado por Tiago é o de Raabe.
Uma mulher gentia e prostituta que vivia em Jericó durante a conquista da terra de Canaã pelos hebreus.
Josué havia enviados os espias para olharem a terra e, Raabe os escondeu ajudando-os a escapar dos guardas de Jericó.
Essa atitude dela levou os espias prometerem que nenhum mal lhes aconteceria
 quando os israelitas tomarem a cidade (Js 2. 1 - 24).
Raabe teve fé no Deus de Israel!
Na certeza de que Deus daria aquela cidade ao seu povo, ela agiu para proteger os espias enviado por Josué.
Por isso, Raabe, a prostituta de Jericó, foi justificada e constituída na linhagem do nosso Senhor, Jesus Cristo (Mt 1. 5).
Foi uma grande mulher que consta como heroína da fé (Hb 11. 31).

SINOPSE DO TÓPICO (II)
As ações de Abraão e Raabe são dois grandes exemplos do Antigo Testamento quanto à fé compromissada com as obras.


III. A METÁFORA DO CORPO SEM O ESPÍRITO PARA EXEMPLIFICAR A FÉ SEM OBRAS (Tg 2.26).
1. Uma analogia do corpo sem espírito.
Para os que conhecem a palavra de Deus, é inconcebível a ideia de um corpo vivo sem o espírito e a alma (At 20. 9, 10; 1 Ts 5. 23).
John Stott, teólogo britânico, escreveu: 'O nosso próximo é uma pessoa, um ser humano, criado por Deus. E Deus não criou como uma alma sem corpo (para que pudéssemos preocupar-nos exclusivamente com seu bem-estar físico), nem tampouco um corpo-alma em isolamento (para que pudéssemos preocupar com a sociedade em que ele vive). Não! Deus fez o homem um ser espiritual, físico e social.
Como ser humano, o nosso próximo pode ser definido como "um corpo-alma em sociedade"' (Cristianismo Equilibrado, CPAD).
Sem o espírito, o fôlego de vida, o ser humano não é nada.
Só podemos ser considerados humanos quando as esferas espiritual, física e social estão inseparáveis.
Qual a relação desse assunto com a fé?

2. Da mesma maneira: fé sem obras é morta.
"Assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (Tg 2. 26).
Tiago nos ensina que não faz sentido expressarmos uma fé verbalmente se ela não tem ação concreta.
Como as pessoas constatarão que eu creio de todo coração em Deus?
Á medida que os meus atos em relação a elas revelarem o amor do Criador.
Se não houver obras de misericórdia, amor, honestidade e carinho ao próximo, a nossa fé estará morta, sepultada.
Podemos citar de cor e salteado o Credo Apostólico, o credo da nossa denominação e milhares de versículos da Bíblia.
Mas se não houver ação, tudo não passará de argumentos sem vida.
Deus nos livre dessa ignomínia (degradação social)!

SINOPSE DO TÓPICO (III)
Assim como o corpo sem o espírito não tem vida, a fé sem as obras é morta.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabemos que o ser humano, está vivo porque ele tem atividade cerebral intacta, os pulmões funcionam rotineiramente, o coração bombeia o sangue, irrigando todo o corpo, isto é, o corpo humano está se movimentando naturalmente.
Da mesma forma é a fé.
Uma fé viva em Deus através do seu Filho Jesus Cristo, justifica o home de todo pecado (Rm 5.1; Tg 2.18-25).
Mas, uma fé sem obras está morta!
É como um corpo humano que não tem vida. Não respira mais.
Que possamos viver todas as implicações reais de nossa crença em Deus.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
STRONSTAD, Roger; ARRINGTON, French L. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2 ed., RJ: CPAD, 2004.
STOTT, John. Cristianismo Equilibrado. Rio de Janeiro. CPAD, 2009.

Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 58, p.39.
Como chegar ao lar de uma pessoa que se encontra em necessidades materiais e apenas orarmos por ela dizendo "DEUS está no controle de tudo"? Tal atitude é a que Tiago chama de fé sem obras. A fé vivida apenas no campo da mera especularização espiritual é uma fé sem vida, encanto e compromisso com o outro. A verdadeira fé consiste em amar a DEUS acima de todas as coisas, com toda a nossa força, de todo o nosso entendimento, de toda a nossa alma e de todo o nosso coração (Mc 12.30,31). Uma fé simples, entretanto, de uma implicação inimaginável.
A fé do Evangelho está diametralmente entrelaçada ao amor. Não a toa ela aparece como uma das três virtudes teologais, juntamente com o amor (1 Co 13.13). Deste, o apóstolo Paulo diz: "porque quem ama aos outros cumpriu a lei [...] e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13.8-10). Contra o amor não há lei. A vontade de DEUS é que o ser humano viva a vida sem que a determine, pois quem ama não pode fazer outra coisa senão o bem (Jr 31.33).
Quando Tiago fala de boas obras sabemos que ele se refere às ações concretas de misericórdias. Então, remetemo-nos logo ao tema da salvação pelas boas obras. Talvez pelo medo de relacionar boas obras à salvação, muitos em nossas igrejas vêm ignorando o mandamento de JESUS para fazermos alguma coisa em favor dos pobres. Além disso, precisamos ponderar com os nossos alunos que não são as obras que salvam, mas, por outro lado, são elas que revelam se de fato somos salvos ou não (Ef. 2.8- 10). E um dia, todos seremos julgados, pelas obras que realizamos em relação a outro ser humano cujo Senhor, JESUS, pode ser encontrado em cada estado de necessidade (Mt 25.31-46).
Use o espaço desta lição, professor, para ensinar que não se pode fazer dicotomia entre a fé e a ação. Do contrário, a fé se mostrará morta como um corpo que sem o fôlego de vida. Dê uma olhada em volta da sua igreja local. Talvez ela se situe em meio a uma comunidade carente. Uma pergunta pode ser feita à sua classe: o que podemos fazer de ação social pela nossa comunidade?

Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 58, p.39.
Como chegar ao lar de uma pessoa que se encontra em necessidades materiais e apenas orarmos por ela dizendo "DEUS está no controle de tudo"? Tal atitude é a que Tiago chama de fé sem obras. A fé vivida apenas no campo da mera especularização espiritual é uma fé sem vida, encanto e compromisso com o outro. A verdadeira fé consiste em amar a DEUS acima de todas as coisas, com toda a nossa força, de todo o nosso entendimento, de toda a nossa alma e de todo o nosso coração (Mc 12.30,31). Uma fé simples, entretanto, de uma implicação inimaginável.
A fé do Evangelho está diametralmente entrelaçada ao amor. Não a toa ela aparece como uma das três virtudes teologais, juntamente com o amor (1 Co 13.13). Deste, o apóstolo Paulo diz: "porque quem ama aos outros cumpriu a lei [...] e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13.8-10). Contra o amor não há lei. A vontade de DEUS é que o ser humano viva a vida sem que a determine, pois quem ama não pode fazer outra coisa senão o bem (Jr 31.33).
Quando Tiago fala de boas obras sabemos que ele se refere às ações concretas de misericórdias. Então, remetemo-nos logo ao tema da salvação pelas boas obras. Talvez pelo medo de relacionar boas obras à salvação, muitos em nossas igrejas vêm ignorando o mandamento de JESUS para fazermos alguma coisa em favor dos pobres. Além disso, precisamos ponderar com os nossos alunos que não são as obras que salvam, mas, por outro lado, são elas que revelam se de fato somos salvos ou não (Ef. 2.8- 10). E um dia, todos seremos julgados, pelas obras que realizamos em relação a outro ser humano cujo Senhor, JESUS, pode ser encontrado em cada estado de necessidade (Mt 25.31-46).
Use o espaço desta lição, professor, para ensinar que não se pode fazer dicotomia entre a fé e a ação. Do contrário, a fé se mostrará morta como um corpo que sem o fôlego de vida. Dê uma olhada em volta da sua igreja local. Talvez ela se situe em meio a uma comunidade carente. Uma pergunta pode ser feita à sua classe: o que podemos fazer de ação social pela nossa comunidade?

COMENTÁRIOS DE VÁRIOS LIVROS - INTRODUÇÃO
Essa seção tem levantado dúvidas na mente dos leitores da Bíblia porque parece contradizer o ensinamento do apóstolo Paulo referente à questão de fé e obras. Nas suas epístolas aos Romanos e Gálatas, Paulo ensina que não podemos ser salvos pelas obras; recebemos a salvação somente pela graça de DEUS mediante a fé. Nessa passagem, Tiago afirma que somente a fé não é suficiente para a salvação. Para que ocorra a salvação, a fé precisa estar acompanhada de obras.
A contradição é apenas aparente. Os estudantes da Bíblia concordam que os dois autores inspirados estavam dando significados diferentes às mesmas palavras. Quando Tiago usa a palavra fé, ele se refere a um consentimento meramente intelectual. Quando Paulo fala de fé, ele se refere à convicção que traz consigo o consentimento da vontade. Quando Paulo fala de obras, ele se refere às obras da lei, i.e., as obras do legalismo judaico que nunca podem salvar a alma. Quando Tiago fala das obras ele se refere às boas ações que fluem naturalmente de um coração cheio de amor para com DEUS e o próximo.
E evidente que Paulo concorda substancialmente com os ensinos de Tiago, porque ele também enfatiza que o conhecimento sem ação é inútil. Ele escreve: “Porque os que ouvem a lei não são justos diante de DEUS, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” (Rm 2.13). Tem sido argumentado que o ensino de Paulo de que a salvação é somente pela fé e o de Tiago que inclui também as obras, não estão face a face, lutando um contra o outro, mas de costas um para o outro, combatendo inimigos opostos; os dois ensinamentos estão do mesmo lado, embora possa parecer que sejam contrários.
Nessa seção, Tiago trata da interação da fé com as obras na vida cristã. Sua tese básica é a seguinte: se alguém declara ter fé, mas esta fé não vem acompanhada de obras, ela é inútil. Essa seção, semelhantemente a 2.1-13, é uma apresentação meticulosamente argumentada. A tese é explicada nos versículos 14-17; nos versículos 18-20, Tiago responde a uma objeção; nos versículos 21-25, ele fornece provas bíblicas e, no versículo 26, apresenta um resumo.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 169-170.

O capítulo 2 da Carta de Tiago é um dos textos mais importantes da Bíblia. Muitos estudiosos não conseguiram entendê-lo. Lutero pensou que Tiago estivesse contradizendo Paulo (Rm 3.28 - Tg 2.24; Rm 4.2-3 - Tg 2.21). Logo, Lutero chamou Tiago de carta de palha e sentiu que a carta de Tiago não tinha o peso do Evangelho.
Mas será que Tiago está contradizendo Paulo? Absolutamente não. Eles se complementam. Paulo falou que a causa da salvação é a justificação pela fé somente. Tiago diz que a evidência da salvação são as obras da fé. Paulo olha para a causa da salvação e fala da fé. Tiago olha para a consequência da salvação e fala das obras. Paulo deixa isso claro: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de DEUS; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em CRISTO JESUS para boas obras, as quais DEUS antes preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.8-10).
Calvino diz que a salvação é só pela fé, mas a fé salvadora não vem só. Ela se evidencia pelas obras. A questão levantada por Paulo era: “Como a salvação é recebida?”
A resposta é: “Pela fé somente”. A pergunta de Tiago era: “Como essa fé verdadeira é reconhecida?” A resposta é: “Pelas obras!” Assim, Tiago e Paulo não estão se contradizendo, mas se completando. Somos justificados diante de DEUS pela fé, somos justificados diante dos homens pelas obras. DEUS pode ver a nossa fé, mas os homens só podem ver as nossas obras.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 45-46.

Talvez alguém objetasse contra o anteriormente exposto: Tiago, será que não criticas exageradamente o fato de um homem “em posição de destaque” ser alvo de um pouco mais de atenção que um escravo? Pois isso é algo ínfimo em comparação a, p. ex.,uma profunda percepção espiritual! – Tiago responde no presente bloco: Não, é justamente no comportamento prático que as coisas decisivas se revelam: está em jogo se tua fé realmente é fé.
Tiago de forma alguma deprecia a fé, mas, como Paulo, a tem em altíssima consideração: a) Ninguém entre nós produz a justiça própria. Em algum lugar todos temos deficiências. E não podemos “compensar” nada. Dependemos da misericórdia de DEUS. Confiamo-nos a ela (Tg 2.10-13). b) Tiago convoca para saudarmos até mesmo a tribulação, por ser meio de aprovação da fé (Tg 1.2). c) Ensina a oração com fé, que certamente será atendida (Tg 1.5-8). d) Ensina o irmão humilde a crer que a graça de DEUS o torna rico (Tg 1.9; 2.5). e) A nova vida não é criada pelo próprio cristão. É obra da graça de DEUS. Através da palavra da verdade ela foi depositada em nós (Tg 1.18; etc.). – Tiago não expressa o que declara no presente bloco da carta por considerar a fé secundária, em contraposição a Paulo. Pelo contrário, justamente porque a considera de importância decisiva, como Paulo, ele quer que a fé realmente seja e continue sendo fé.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

I- DIANTE DO NECESSITADO, A NOSSA FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tg 2.14-17)
1. Fé e obras
Caracterizando a verdadeira fé.
Falar sobre fé implica diversos fatores. Ela precisa ter um conjunto de valores que estejam conjugados de forma doutrinária, um modelo de culto e uma forma de interação entre as pessoas que dessa fé participam. Mas a fé também precisa ser prática, ou seja, precisa ser demonstrada no dia a dia de seus crentes. E a fé cristã não pode ser resumida em um conjunto de preceitos sem prática, ou será morta aos olhos daqueles que nos observam.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 85-86.

Tg 2.1 Tiago suaviza sua exortação ao identificar-se com seus leitores. Ele escreve aos meus irmãos (v. 14). A fé que Tiago rejeita não é reconhecida por ele como fé verdadeira. Ela é uma confissão ou declaração, mas não uma realidade. Que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo? Phillips apresenta o sentido correto da segunda pergunta: “Porventura esse tipo de fé poderia salvar a alma de alguém?”.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. Pag. 169.

Tg 2.14 Esta pessoa que afirma que tem fé obviamente pensa que somente a sua fé, sem nenhuma boa obra (realizada em obediência a DEUS), seja satisfatória aos olhos de DEUS.
No entanto, a fé que não é acompanhada pelas obras não tem valor para a salvação. Qualquer pessoa pode dizer que tem fé, mas, se o seu estilo de vida continua sendo egoísta e mundano, então de que adianta esta fé? Trata-se meramente de uma fé a respeito de JESUS, e não de uma fé em JESUS. Este tipo de fé não salva ninguém. Na verdade, a fé que salva é a fé que fica evidente nos atos que ela produz.
Duas imagens nos ajudam a recordar a importância da fé genuína:
1. Em um lado, estão pessoas que aparentam ter a confiança de estar na presença de DEUS, mas que não mostram evidências de que a sua fé afeta qualquer um de seus atos. Elas podem até mesmo se orgulhar do fato de poderem crer naquilo que quiserem e de que ninguém tem o direito de desafiar a sua fé. Afinal, elas parecem dizer: “Só DEUS pode realmente saber”.
2. No outro lado, estão pessoas cujas vidas demonstram uma agitação tão frenética, que elas literalmente não têm tempo de pensar ou falar sobre a sua fé. Estas pessoas, cujas vidas, a princípio, exibiam as características de alguém que crê, acabam tendo dúvidas verdadeiras. Elas duvidam da aceitação de DEUS e se sentem obrigadas a trabalhar arduamente com a esperança de obter aquela aceitação. Mas o esforço para obter méritos na presença de DEUS pode se tornar um substituto da fé. Tiago nos ajuda a enxergar que a fé genuína sempre combinará uma profunda confiança em DEUS com ações coerentes no mundo.
Aquele que é salvo não é o que afirma ter fé, mas aquele que verdadeiramente tem fé.
Alguém poderia perguntar: “Mas, se a fé genuína nunca tiver uma oportunidade real de ser demonstrada em ação?” Um exemplo de fé genuína ao qual se dedicou pouco tempo é o caso do ladrão na cruz, que creu em JESUS (Lc 23.32-43). Diante da morte, este homem reconheceu JESUS como sendo o CRISTO. Será que a fé deste homem, genuína e de curta duração, o levou a uma ação verdadeira? Com certeza! O ladrão moribundo disse algumas palavras de profunda eloquência: “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino” (Lc 23.42).
O ladrão não tinha sequer ideia de quantas vezes o seu simples testemunho de confiança, durante a sua derradeira agonia, daria esperanças a outras pessoas que se sentiriam como se estivessem além do alcance do auxílio de DEUS.
A maioria de nós tem muito mais tempo do que o ladrão na cruz. A nossa vida tem sido um testemunho tão positivo quanto foi o daquele homem? Será que nós declaramos a nossa fé e então demonstramos a sua vitalidade na nossa vida?
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 674-675.

Tg 2.14 “De que adianta, meus irmãos, se alguém diz ter (somente) fé, mas não tem obras?” Tiago não quer dizer que isso de fato existe: fé sem obras. Fala apenas de alguém que assevera que tem “fé”, que é “crente”. Contudo, não tem obras. Não existe outra fé senão aquela que é ativa no amor.
1 – Que significa “crer”, em grego pisteúein?
A palavra grega significa: “confiar em alguém”. Tem em vista um relacionamento pessoal com outro ser humano. O mesmo também acontece com nosso termo “crer”. Está ligado à ideia de “prometer”, “amar”, e tem o sentido de “confiar” em alguém, “confiar-se” a ele. No NT “crer” significa: viver com DEUS, com JESUS CRISTO em comunhão pessoal no convívio diário e confiante.
JESUS compara a fé com a ligação intrínseca entre ramo e videira (Jo 15.4s). Paulo escreve: “Sede radicados nele” (Cl 2.7). Não é diferente o entendimento de Tiago acerca da fé aprovada na tribulação (Tg 1.2), que não se deixa separar de seu Senhor por ninguém e por nada.
2 – Que significam aqui as “obras”, em grego: érga?
a) O sentido não é de “obras da lei”, das quais Paulo declara que não justificam o ser humano (Rm 3.20,28). “Lei” nessa acepção é o dever imposto ao ser humano, ou melhor, que ele mesmo se impõe com a finalidade de construir a própria salvação pelo respectivo cumprimento. Constitui informação inequívoca de todo o NT que o ser humano não pode nem deve criar assim sua salvação. Tiago, que no v. 13 diz que a misericórdia triunfa sobre o juízo, de forma alguma representa uma exceção nesse caso.
“As obras da lei”: é como se na parábola do filho pródigo (Lc 15.11ss) o Pai tivesse estendido um bilhete pela fresta da porta ao filho que retorna, com as condições prévias para tornar a aceitá-lo na casa paterna: primeiro tornar-se novamente uma pessoa decente, voltar a conquistar um bom nome e reunir um patrimônio! Isso jamais teria levado à volta do filho!
b) Aqui em Tiago, porém, se fala das “obras” da fé, do fruto do agraciamento e da volta do ser humano para casa. A aparência de um contraste entre Tiago e Paulo surgiu não por último pelo fato de que Tiago chama de “obras” o que em outras partes do NT é chamado de “fruto”. Novamente nos termos da parábola do filho pródigo: o que a pessoa agraciada fizer na sequência não será premissa nem condição prévia de sua volta para casa, mas consequência e o fruto de sua acolhida. O que fizer será feito por amor e gratidão. Isso se tornou possível porque agora vive com o Pai e respira o ar da casa do Pai. O filho não teria retornado de fato se não trabalhasse com o Pai como filho na casa. Com outras palavras: do contrário, a fé não seria fé. – Tiago não entende por “obras” o mesmo a que Paulo se refere em Rm 3.28, mas o que ele cita em Rm 12.1ss. Inicia, por assim dizer, sua carta apenas em Rm 12. O anterior é pressuposto por Tiago, ele se respalda nisso. A carta de Tiago não é pregação da lei, mas pregação da nova obediência, pregação de santificação. Precisamente assim é que Tiago se move integralmente nas balizas do NT: “Persegui a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). No dia da revelação do justo juízo DEUS dará a cada um conforme suas obras (Rm 14.10; 2Co 5.10). A fé, que também Paulo prega, atua por intermédio do amor (Gl 5.6). Rm 12ss não constitui apenas um apêndice da grande descrição do agir salvador de DEUS, mas a comunicação do que esse agir visa alcançar em nossa vida, das decorrências que precisam acontecer hoje em nós: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de DEUS, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a DEUS, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1ss).
Principalmente o próprio JESUS salientou a importância da nova obediência (Mt 7.21; etc.). O que Tiago diz, ele aprendeu de seu Mestre, mais uma vez, sobretudo das palavras do Sermão do Monte.
3 – Tiago pergunta: “Que utilidade tem que alguém diga (apenas) que tem fé, mas não tem obras?” Nossa fé precisa apresentar um produto (v. 14).
a) Para DEUS. No momento em que Paulo descreve seu ministério, ele afirma: “Recebemos graça e apostolado por amor do seu nome, para estabelecer a obediência da fé entre todos os gentios” (Rm 1.5). Esse é o fruto que ele deseja produzir (Rm 1.13; Fp 1.22). Como resultado de seu agir salvador DEUS quer ter filhos que lhe obedecem. À pergunta: “Porventura perseveraremos no pecado?” Paulo responde: “Jamais!” (Rm 6.1s). E JESUS afirma que o “viticultor” divino retira os ramos que não dão fruto (Jo 15.2). Não existe obra agradável a DEUS sem a fé, não existe fruto sem raiz. Mas tampouco existe fé sem obras, bem como nenhuma raiz saudável sem fruto.
A humanidade deturpada pelo pecado se equipara a um campo de espinhos. A roça do ser humano produz cardos e abrolhos (Gn 3.18), porque a lavoura de DEUS, que é o mundo humano (Mt 13.38), lhe produziu “cardos e abrolhos”. Agora DEUS lavrou e continua lavrando “algo novo”, fazendo com que seja semeada a semeadura de sua palavra (Lc 8.11), com a finalidade de uma colheita para ele (Mt 13.23,39; Ap 14.16). Em última análise, DEUS deitou uma semente na lavoura do mundo, seu Filho amado (Jo 12.24). Passando pela morte, ela dará “muito fruto”, ou seja, pessoas: filhos de DEUS serão configurados segundo a natureza do Filho unigênito (Rm 8.29). Sua natureza, porém, é a obediência perfeita. Ela pensa e atua com o Pai: “Eu não procuro a minha própria glória…” (Jo 8.50). “Agrada-me, Senhor, realizar a tua vontade” (Sl 40.8). “Minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4.34). “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5.17). As obras por fé são um fruto para DEUS. As “obras das trevas”, no entanto, são “infrutíferas” (Ef 5.11), imprestáveis para DEUS, atraindo o fogo do juízo (Mt 13.30).
b) Para nós mesmos. “Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo”, se na verdade não é fé? (Na realidade deveríamos colocar a palavra “fé” entre aspas). Igualmente faz parte da fé, da comunhão de vida com JESUS, que permaneçamos em sua comunhão quando ele quer nos levar consigo para servir. A desobediência fica em débito com JESUS e lhe nega o discipulado. Essa é atitude do rei Saul, a respeito do qual DEUS declarou: “Ele se voltou contra mim” (1Sm 15.11). Dessa forma a vida de uma pessoa acaba em catástrofe. Unicamente quem persiste na fé obediente em JESUS será salvo.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

2. O cristão e a caridade.
Somos chamados para a prática de boas obras, e essas boas obras devem ser manifestas às pessoas próximas de mim. O exemplo apresentado por Tiago traz um homem ou uma mulher que estão padecendo necessidades básicas, como falta de roupas e falta de alimentação. A questão é: podemos dizer a uma pessoa nessas condições: “Vá para sua casa, se aqueça e coma bastante”, sem que possamos lhes dar o necessário para o seu corpo, como roupas e comidas? Parece ilógico que um cristão faça isso com outro irmão, mas ao que parece, era isso que estava acontecendo.
Talvez aqueles crentes que dissessem isso como se esperassem que DEUS interviesse de forma sobrenatural na vida dos necessitados, enviando maná e codornizes, ou quem sabe, trazendo água, carne e pão. E DEUS age dessa forma? Claro que não. Pensemos nos contextos bíblicos apresentados. DEUS mandou o maná no deserto para o povo de Israel, e eles não apenas usufruíram daquele presente divino, mas aprenderam a lidar com ele de acordo com as orientações de DEUS. Mas lembremo-nos de que esse povo estava saindo do Egito, estavam em um deserto e dependeram unicamente de DEUS para sua provisão. Para Elias, DEUS mandou carne por meio de corvos, e a água que o profeta precisava consumir vinha do ribeiro de Querite. Mas DEUS ordenara a Elias que se dirigisse àquele lugar depois de desafiar o rei Acabe. Elias não foi para lá porque quis. Em ambos os casos, DEUS mesmo proveu o necessário para um grupo imenso de pessoas, e depois para um único profeta.
DEUS pode fazer esses milagres hoje? Sim, pode, mas já deixou claro orientações para que sejamos misericordiosos com os menos favorecidos e os auxiliemos. DEUS é sim DEUS do impossível, mas não é DEUS do absurdo. O que eu e você devemos fazer Ele não vai fazer, pois espera que o obedeçamos e façamos a nossa parte.
A caridade é uma forma de demonstração da fé cristã. Essa forma de demonstração jamais nos permitirá ser indiferentes à pessoas que estão necessitadas de recursos.
Tiago não nos ordena a que falemos de JESUS às pessoas. Ele não nos manda curar enfermos ou profetizar para demonstrar nossa fé. Ele não nos manda ser ortodoxos em relação à teologia. Todas essas coisas são importantes, mas não mais que um irmão necessitado que espera socorro de DEUS, socorro este que será feito por um outro irmão em nome de DEUS.
Acredito que muitos cristãos pensam que fazer boas obras e caridade são atributos de outros grupos religiosos, e que DEUS se preocupa muito mais com a salvação de almas do que com o restante dos dias dessas almas salvas. Esse é um pensamento errado. Há pessoas religiosas que praticam boas obras porque acreditam que por elas serão salvas. Há outras pessoas que utilizam as boas obras para se tornarem pessoas melhores nesta vida, ou para que purguem pecados supostamente praticados em “outras vidas” por meio da caridade. Em ambos os casos, o equívoco é claro. Boas obras não podem salvar uma pessoa por mais devota quer ela seja, nem mesmo atenuar para um futuro próximo atitudes ruins que teriam sido praticadas em uma suposta vida anterior.
Aqui está o problema. Muitos salvos em CRISTO veem com indiferença as boas obras, por acharem que elas são a marca registrada de pessoas que querem ser salvas sem aceitar a JESUS. Mas só porque esses grupos de pessoas praticam boas obras, essas boas obras não atingem os mais necessitados, mesmo que não proporcione aos praticantes, a salvação? Sim, os mais necessitados são contemplados pelas boas obras que eles fazem e nós não fazemos.
As boas obras desses grupos não são inválidas, mesmo que não lhes dê a salvação. E nossa fé, como pode ser considerada se estiver divorciada de boas obras? Será que aos olhos de DEUS ganhamos pontos extras com nossa indiferença para com os mais necessitados?
Tiago não conclui ainda seu pensamento. Para ele, mostrar a imagem de uma pessoa necessitada utiliza um recurso extremo para ilustrar seu pensamento: a fé em DEUS apenas sem as práticas não nos torna melhores pessoas. Os demônios com certeza possuem um grande conhecimento sobre DEUS, sabem de sua existência e estremecem. Mas nem por isso eles deixam de cumprir as ordens de Satanás. Eles sabem que DEUS existe e o odeiam. Seu conhecimento de DEUS os leva a manifestações cada vez mais rebeldes. Saber da existência de DEUS e não praticar obras que coincidam com a mentalidade bíblica é, ressalvadas as devidas proporções, comparável à crença que os demônios têm. Saber da existência de DEUS é apenas um processo. A prática de boas obras é a complementação desse processo.
Que DEUS nos ajude a não apresentar ao mundo uma fé cristã morta, indiferente às necessidades de pessoas de nossas igrejas. Que eu não imagine que minha posição de conforto, onde estou saciado de necessidades básicas, me foi dada por DEUS por ser eu um filho mais digno que outros filhos. Os mais necessitados da congregação são tão ou mais dignos, pois a estes, DEUS deseja abençoar usando a minha vida como um canal. O socorro de DEUS para essas pessoas está no bolso dos mais abastados. E que a caridade cristã seja um diferencial na nossa vida e na vida das pessoas que vamos socorrer, lembrando-nos de que nós mesmos poderíamos estar no lugar deles, e que se isso ocorresse, gostaríamos de receber a ajuda que daremos.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 86-88.

Tg 15-16 Têm sido descritos como uma “pequena parábola” com a aplicação dada no versículo 17. João usa um argumento similar: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de DEUS?” (1 Jo 3.17, ARA). A intolerância de Tiago com a fé sem prática aparece de forma aguda na seguinte paráfrase: “Se vocês tiverem um amigo que está necessitado de alimento e vestuário, e lhe disserem: ‘Bem, adeus, e que DEUS o abençoe; aqueça-se e coma bem’, e depois não lhe derem roupas ou alimentos, que bem faz isso?” (A Bíblia Viva). Clarke comenta: “Ao falar isso para eles, sem lhes dar nada, o proveito deles será igual à sua fé professada. Sem essas obras, que são os frutos genuínos da verdadeira fé, qual será o seu proveito no dia em que DEUS virá sentar e julgar a sua alma?
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 169.

Tg 2.15 Tiago dá o exemplo de uma pessoa hipotética que pode ter sido alguém que fazia parte da comunhão da igreja — um irmão ou uma irmã — que estava realmente em necessidade. Não ter comida ou roupas significa estar em uma situação desesperadora, mas muito comum. Hoje, dificilmente há uma igreja na qual não haja pessoas que vivam sem alimento ou abrigo adequados.
Tg 2.16 Alguma coisa podia ser feita por esta pessoa necessitada. Havia abundância de roupas e alimentos entre aqueles que estavam em comunhão suficientes para cuidar desta pessoa, porém ela se foi de mãos vazias, com uma oração, mas sem roupas sobre o seu corpo ou alimentos no seu estômago.
Com excessiva frequência, nós, que fazemos parte de uma igreja, oferecemos meras palavras - orações, conselhos, estímulo - quando somos chamados a agir. A necessidade é óbvia, e há recursos. Mas a ajuda não é dada. “Que proveito virá daí?”, pergunta Tiago. A fé que não resulta em ações não é mais eficaz do que uma oração piedosa pelo pobre que precisa ser aquecido e alimentado. As palavras sem as ações não realizam nada.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 675.

Tg 2.15s Para nossos semelhantes.
c.1) “Que utilidade teria?”: Nossa vida cristã precisa render algo para DEUS, para nós mesmos e não por último para nosso ambiente. Temos de significar algo para ele. Nos dias em que viveu na terra nosso Senhor tinha, pela ação do ESPÍRITO SANTO, um corpo humano para seu serviço ao mundo. Com ele cumpriu a tarefa que o Pai lhe atribuiu: como “missionário e médico” (David Livingstone). Agora tem para esse serviço, pela ação do ESPÍRITO SANTO, novamente um corpo humano, um corpo feito de seres humanos, sua igreja. E também ela precisa ser simultaneamente ambas as coisas, missionária e médica. Nem somente missionária, nem tampouco – o que hoje requer ser salientado – apenas médica. Unicamente assim nossa existência cristã traz o “proveito” necessário aos nossos semelhantes.
c.2) Na seqüência Tiago fornece um exemplo das interações humanas (que não precisa ter sido real), para que a idéia se torne concreta e palpável e não encalhe na teoria: “Qual é o proveito se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos” (v. 15 – Também hoje existem por toda parte carências, mais numerosas e diversificadas do que imaginamos). “…e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz… sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo?” Em vista de várias necessidades ficamos tão perplexos e impotentes que de fato não conseguimos fazer mais do que orar pelas pessoas e abençoá-las. Isso não é vão, mas um grande serviço. Só que nossa fé não pode ser indiferente (cf. Is 53.6a) nem mera amabilidade inativa para com nossos semelhantes. Somos “cooperadores de DEUS” (1Co 3.9), membros do corpo de JESUS, suas ferramentas. Quando suplicamos a DEUS é preciso que também nos deixemos transformar em instrumentos da ajuda de DEUS e façamos o que está ao nosso alcance. Não apenas colocamos em risco a nossa própria redenção quando nos separamos da obediência e por isso da comunhão de nosso Senhor, mas também permanecemos devedores de nossos semelhantes em questões decisivas para o corpo e para a alma.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

3. A “morte” da fé.
Tg 2.17 Interiormente morta, bem como exteriormente inoperante. Ela não é apenas infrutífera, mas não tem uma vitalidade própria capaz de produzir frutos de justiça. Essa fé é morta em si mesma, ou seja, não há obras que a acompanham.
A menção específica de irmã (v. 15) é entendida por Ross como uma evidência contra a teoria defendida por alguns, de que temos em Tiago um documento pré-cristão de origem judaica. Ele escreve: “Irmãs’ devem receber um tratamento igualitário em relação aos irmãos na Igreja dEle, onde não há homem nem mulher (G1 3.28)”.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag.169.

A fé é uma doutrina chave no cristianismo. O pecador é salvo pela graça mediante a fé (Ef 2.8,9), o justo vive pela fé (Rm 1.17).
Sem fé é impossível agradar a DEUS (Hb 11.6). Tudo o que é feito sem fé é pecado (Rm 14.23).
Em Hebreus 11 encontramos a galeria da fé, em que homens e mulheres creram em DEUS, viveram e morreram pela fé. Fé é a confiança de que a Palavra de DEUS é verdadeira, não importam as circunstâncias.
Qual é o tipo de fé que salva uma pessoa? Nem todas as pessoas que dizem crer em JESUS estão salvas (Mt 7.21).
Quais são as características de uma fé morta?
Em primeiro lugar, é uma fé que não busca uma vida santa. A fé morta está divorciada da prática da piedade. Há um hiato, um abismo entre o que a pessoa professa e o que a pessoa vive. Ela crê na verdade, mas não é transformada por essa verdade. A verdade chegou a sua mente, mas não desceu a seu coração. É um erro pensar que apenas recitar ou defender um credo ortodoxo faz de uma pessoa um cristão. Assentimento intelectual, apenas, não é fé salvadora. A fé que não produz vida, que não gera transformação, é uma fé espúria (Mt 7.21).
Certo pastor, ao ser confrontado em razão de seu adultério, respondeu um pregador: “E daí se eu estou cometendo adultério? Eu prego melhores sermões do que antes”. Esse homem estava dizendo que enquanto ele acreditasse e pregasse doutrinas ortodoxas, não importava a vida que ele levava.'‘‘’ Mas Tiago ataca esse tipo de pensamento.
As igrejas estão cheias de pessoas que dizem que creem, mas não vivem o que creem. Isso é fé morta.
Em segundo lugar, é uma fé meramente intelectual. A pessoa consente com certas verdades, mas não é transformada por elas. No versículo 14, Tiago pergunta: “Pode, acaso, semelhante fé pode salvá-lo?” Quando Tiago usa a palavra semelhante, ele está falando de um certo tipo de fé, ou seja, a fé apenas verbal em oposição à fé verdadeira. Ainda no versículo 14, ele pergunta: “Que proveito há, meus irmãos, se alguém disser que tem fé e não tiver obras?”
A fé aqui descrita existe apenas na base da pretensão. A pessoa diz que tem fé, mas na verdade não tem. As pessoas com uma fé morta substituem obras por palavras. Elas conhecem as doutrinas, mas elas não praticam a doutrina. Elas têm discurso, mas não têm vida. A fé está apenas na mente, mas não na ponta dos dedos.
Em terceiro lugar, é uma fé que não produz frutos dignos de arrependimento. Essa fé é ineficiente, inoperante e não produz nenhum resultado. Ela tem sentimento, mas não ação. Tiago dá dois exemplos para ilustrar a fé morta (2.15,16). Um crente vem para a igreja sem roupas próprias e sem comida. Uma pessoa com uma fé morta vê essa situação e não faz nada para resolver o problema do irmão necessitado. Tudo o que ele faz é falar algumas palavras piedosas (2.16).
Comida e roupa são necessidades básicas (iTm 6.8; Gn 28.20). Como crentes, devemos ajudar a todos e, principalmente, aos que professam a mesma fé (G1 6.10).
Seremos julgados por esse critério (Mt 25.40). Deixar de ajudar o necessitado é fechar o coração ao amor de DEUS (I Jo 3.17,18). O sacerdote e o levita podiam pregar sobre sua fé, mas não demonstraram a sua fé (Lc 10.31,32). João Calvino diz: “Só a fé justifica, mas a fé que justifica jamais vem só”.
Em quarto lugar, é uma fé sem nenhum valor. Ela é inútil.
A fé sem obras é inoperante (2.20). Se, de forma geral a fé é inútil, ela também o é no caso da salvação!
Em quinto lugar, é uma fé incompleta. Tiago diz que a fé sem as obras está incompleta (2.22), visto que são as obras que consumam a fé. As obras são a evidência da fé.
Somos salvos pela fé para as obras (Ef 2.8-10). Se não tem obras, não tem fé!
Em último lugar, é uma fé morta. Tiago é claro em afirmar que a fé sem as obras está morta (2.17; 2.26),
e uma fé morta não salva ninguém. Essa fé intelectual, inútil, incompleta e morta não salva ninguém. Ortodoxia sem piedade produz morte. James Boyce diz que não podemos ser cristãos e, ao mesmo tempo, ignorar as necessidades dos outros. Devemos reconhecer que, se há alguém com fome e nós temos os meios para socorrê-lo, não somos cristãos de verdade se não ajudarmos essa pessoa. Não podemos ser indiferentes às necessidades do próximo e ainda professar que somos cristãos.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 48-51.

Tg 2.17 Uma convicção ou crença intelectual que se recusa a obedecer aos mandamentos de CRISTO não é proveitosa - é morta. As boas obras são o fruto da fé viva. Se não há ações positivas, então a fé professada, na realidade, não é fé — é morta e inútil. As ações corretas provam que a nossa fé é uma fé verdadeira. Crer envolve a fé acompanhada das ações. Se aqueles que estão ao nosso redor observarem as nossas ações, eles deverão ser levados a conhecer a fé que motiva tais ações. Se outros nos ouvirem falar de fé, eles também deverão nos ver agir de acordo com esta fé.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 675.

Tg 2.17 “Assim, também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma”: obras são sinal de vida da fé. Se no verão um galho não tiver folhas, é necessário supor que está seco e morto. Se um ser humano não se mexe mais, não respira nem denota mais pulsação, faltam os sinais vitais. Está morto. Será que hoje não deveria ser dito também, em vista de muitos pretensos crentes: “Tens o nome de que vives, mas estás morto” (Ap 3.1)? É infinitamente importante darmos espaço ao convívio pessoal com nosso Senhor na atenção à sua palavra e no diálogo com ele. Assim também perceberemos seu sinal para agir e para esperar e, se sempre lhe obedecermos imediatamente, o perceberemos cada vez melhor. Essa posição debaixo da condução do ESPÍRITO e na obediência prática são os “sinais vitais” da fé. Por isso Paulo escreve: “Os que são impelidos (guiados) pelo ESPÍRITO de DEUS são filhos de DEUS” (Rm 8.14), ou seja, são crentes.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

II- EXEMPLOS VETEROTESTAMENTÁRIOS DE FÉ COM OBRAS (Tg 2.18-25)
1* Não basta “crer”.
Tg 2.19 Algumas versões colocam a primeira parte do versículo 19 em forma de pergunta (como ocorre na ARC): Tu crês que há um só DEUS?. Tiago responde: Fazes bem (v. 19). Até aqui, tudo bem — mas isso não é suficiente: também os demônios (daimonia) crêem e estremecem. Apenas fé — no sentido de reconhecer DEUS sem responder a Ele em ação obediente — é uma religião que mesmo os demônios professam (cf. Mt 8.29; Mc 1.24). Mas essa fé não é uma fé salvadora; eles apenas estremecem (“tremem”, NVI). “A fé que eles têm é mostrada pelo seu terror, uma emoção de interesse próprio, mas isso não os salva”.3 João Wesley comenta acerca daqueles que têm uma fé tão limitada: “Isso prova somente que vocês têm a mesma fé dos demônios [...] eles [...] tremem com a expectativa terrível do tormento eterno. Essa fé certamente não pode justificá-los nem salvá-los”.
Tg 2.20 A expressão: queres tu saber? (v. 20, lit., você gostaria de saber?), introduz esse novo rumo na argumentação. A pergunta parece inferir uma relutância que beira a perversidade no homem questionado. O sentido correto seria: “Você realmente quer uma prova irrefutável?”. O homem vão significa “insensato” (NVI) ou “de cabeça vazia”. Trench diz que esse tipo de homem “é alguém em quem a sabedoria superior não encontrou espaço, mas que está inchado com uma vaidade vã do seu próprio discernimento”.5 Tiago repete aqui sua premissa básica de que a fé sem as obras é morta (“inútil”, NVI; lit., sem obras, inativa). Essa fé sem vida não produz nada de importante.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 171.

A fé dos demônios (Tg 2.19)
A fé morta é uma fé que atinge apenas o intelecto. A fé dos demônios atinge o intelecto e também as emoções. Os demônios têm um estágio mais avançado de fé que muitos crentes. A fé dos demônios não é apenas intelectual, mas também emocional. Eles creem e tremem! Crer é tremer não é uma experiência salvadora. Você não conhece uma pessoa salva pelo conhecimento que adquire nem pelas emoções que demonstra, mas pela vida que vive (Tg 2.18).
No que os demônios creem? Warren Wiersbe responde a essa pergunta, dizendo: em primeiro lugar, os demônios creem que DEUS é um só. Os demônios creem na existência de DEUS. Eles não são nem ateístas nem agnósticos. Eles creem na “shemma” judaica: “Ouve ó Israel, o Senhor nosso Como saber se minha fé é verdadeira ou falsa DEUS é o único Senhor”. Mas essa crença dos demônios não pode salvá-los.
Em segundo lugar, os demônios creem na divindade de CRISTO. Os demônios corriam para ajoelhar-se diante de CRISTO para adorá-lo (Mc 3.11,12). Eles sabiam quem era JESUS. Eles se prostravam aos pés do Senhor JESUS.
Em terceiro lugar, os demônios creem na existência de um lugar de penalidades eternas. Eles sabem que o inferno foi criado para o diabo e seus anjos. Eles sabem que o inferno é destinado para todos aqueles cujos nomes não forem encontrados no Livro da Vida. Eles não negam a existência do inferno (Lc 8.31). Eles creem nas penalidades eternas.
Em quarto lugar, os demônios creem que CRISTO é o suprem o Juiz que os julgará. Os demônios sabem que terão de comparecer diante de CRISTO, o supremo juiz. Eles creem no julgamento final. Eles creem que todo joelho se dobrará diante de CRISTO. Entretanto, os demônios estão perdidos, eternamente perdidos. Uma fé meramente intelectual e emocional coloca-nos apenas no patamar dos demônios.
A fé salvadora (Tg 2.20-26)
A fé salvadora pode ser sintetizada em três palavras: notitia (conteúdo), assensus (concordância), fiducia (confiança): conteúdo, concordância e confiança. A fé verdadeira inclui o intelecto, as emoções e a vontade. O conteúdo da fé é a verdade de DEUS. Eu recebo essa verdade e confio nela e por ela sou transformado.
Como Tiago descreve a fé verdadeira? Warren Wiersbe responde a esta questão oferecendo vários pontos.
Em primeiro lugar, a fé salvadora está baseada na Palavra de DEUS. James Boyce diz que o primeiro elemento da fé salvadora é o conteúdo intelectual expresso como doutrinas básicas do cristianismo. Tiago cita dois exemplos; Abraão e Raabe. Duas pessoas totalmente diferentes;
Abraão, o amigo de DEUS; Raabe, membro dos inimigos de DEUS. Abraão, piedoso; Raabe, prostituta. Abraão, judeu; Raabe, gentia. O que tinham em comum? Ambos confiaram na Palavra de DEUS. A questão não é a fé, mas o objeto da fé. Não é fé na fé. Não é fé nos ídolos. Não é fé nos ancestrais. Não é fé na confissão positiva. Não é fé nos méritos. E fé em DEUS e em Sua Palavra. A fé está baseada em um conjunto de verdades. A fé está estribada em DEUS e em Sua Palavra. Não é fé em subjetividades, mas fé na Palavra.
Em segundo lugar, a fé salvadora envolve todo o ser humano. A fé morta toca apenas o intelecto. A fé dos demônios toca o intelecto e também as emoções. Mas a fé salvadora atinge o intelecto, as emoções e também a vontade. A mente entende a verdade, o coração deseja a verdade, e a vontade age com base na verdade.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 51-53.

Tg 2.19 A aceitação de um credo (mesmo que seja verdadeiro) não é suficiente para salvar ninguém. Os demônios têm uma convicção completa e absoluta de que há só um DEUS, mas eles se aterrorizam diante desta verdade. Eles crêem em DEUS somente para odiá-io e resistir a Ele de todas as maneiras possíveis.
A sua “fé” os leva a ações negativas, ao passo que a fé de alguns dos leitores de Tiago não é suficientemente verdadeira para fazê-los tremer. Os demônios estremecem de terror e demonstram que a sua “fé” é verdadeira, ainda que mal direcionada.
Tg 2.20 Tiago dirige-se à sua pessoa hipotética que tinha as opiniões acima e a chama de homem vão, literalmente um “homem vazio”. Se a fé ao redor da qual construímos a nossa vida resultar vazia, nós verdadeiramente somos pessoas vazias. “Queres tu saber que a fé sem as obras é morta?” Há ocasiões em que nós precisamos de mais ensino ou compreensão para responder às orientações de DEUS. Mas frequentemente sabemos o que deve ser feito, contudo não estamos dispostos a agir. Quando se trata de colocar em prática o que sabemos, você tem o hábito de obedecer a DEUS?
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 675.

Tg 2.19 “Crês, tu, que há um (único) DEUS? Fazes bem. Mas também os demônios creem isso e tremem”: O monoteísmo bíblico, a fé no DEUS único era a riqueza de Israel diante de seu entorno gentílico. Constituía a confissão diária do judeu devoto: “Ouve, Israel: O Senhor, nosso DEUS, é o único DEUS” (Dt 6.4). Contudo não basta tê-lo por verdadeiro.
“Crer que…” ainda não é uma fé viva. Podemos ser muito “ortodoxos” e apesar disso não crer corretamente. Podemos ter uma teologia impecável na prancheta, mas apesar disso não ser salvos. Tiago afirma: “Também os demônios „creem‟ isso” – reconheceram a verdade, como evidenciam também diversos relatos nos evangelhos (Mt 8.29; etc.). Mas lhe negam a obediência. “Reconhecer a verdade e não lhe obedecer é diabólico” (Walter Warth). – “E tremem”: isso vale também para o ser humano. Enquanto se limitar a ter conhecimento sobre DEUS, mas buscar se afirmar contra ele, a mensagem de DEUS não constitui para ele alegria, mas pavor (não surpreende que a muitas pessoas se possa apresentar de tudo, menos a palavra de DEUS!). Somente depois que a pessoa abrir mão de toda a resistência, capitular perante DEUS, entregar a vida na mão de DEUS “para o que der e vier” e se deixar engajar por ele, a fé se torna alegria e beatitude. Em contraposição, o inferno é “crer e apavorar-se”. – É assim que Tiago responde aos que pensam que tudo em sua vida está em ordem, que creem corretamente e têm uma teologia correta, e que no entanto não vivem com JESUS e em seu discipulado.
Tg 2.20 “Queres, pois, (finalmente) compreender, ó homem insensato, que a fé sem as obras é ineficaz?”: o ser humano natural não consegue reconhecer o que a palavra de DEUS ordena, porque não quer admitir a DEUS, não capitular diante dele nem lhe ser obediente.
O ser humano sempre busca viver sua própria vida contrariando a DEUS. Esse é seu pecado original. É tolice persistir nesses pensamentos autocráticos contra DEUS. “Os insensatos dizem no coração: Não há DEUS” (Sl 14.1). “Falta de senso” é o adjetivo que Tiago dá a tal pessoa: de forma inconsciente ou pouco consciente ela persiste em sua conduta. A atitude básica do ser humano carnal, de oposição a DEUS (Rm 7.14; 8.7), constantemente se exterioriza em sua conduta prática.
O ser humano natural sempre tenta preservar sua vida autônoma de DEUS, não apenas quando está afastado de DEUS, mas também quando lhe parece próximo: a) Ele pode ser como “estranho na casa”, calculando perante DEUS seus feitos, o cumprimento de seu de dever e dos extras: “Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo o que ganho” (Lc 18.12). Nesse caso ele é como um filho que por um lado trabalha junto do Pai, mas que apresenta suas reivindicações como um estranho e computa suas horas extras, enquanto na realidade o Pai declara: “O que é meu, é teu” (Lc 15.31). Foi contra esse descaminho que se voltou principalmente Paulo. Ainda que por esse caminho o ser humano fosse capaz de cumprir sua obrigação, isso certamente não seria condizente com um filho e com o amor. b) O ser humano retornado para DEUS também pode ser como um estrangeiro e um corpo estranho na casa por ser apático, não-interessado e inativo na obra que o Pai está realizando. É primordialmente contra isso que Tiago se volta. Paulo e Tiago prestam um ao outro um serviço de complementação mútua. No contexto da mensagem do NT não podemos abrir mão de nenhuma dessas duas testemunhas.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

2. Abraão.
Abraão é considerado o pai da fé. Isso não significa que ele foi o primeiro homem a ter a fé em DEUS, pois outros homens são destacados na Bíblia como sendo pessoas que criam e obedeciam a DEUS antes de Abraão. Entretanto, a Palavra de DEUS dá um destaque ao patriarca, pois Abraão creu em DEUS e foi considerado um homem justo. E que momento da vida de Abraão é destacado por Tiago? Justamente o momento em que o patriarca vai oferecer seu único filho em holocausto ao Senhor. Aqui destacamos duas coisas: Abraão ouviu a voz de DEUS quando Ele ordenou que o patriarca oferecesse seu filho em holocausto, mas tambem obedeceu a DEUS quando Ele enviou seu anjo e ordenou a Abraão que não estendesse sua mão contra o moço, para o sacrificar. Foi sem dúvida uma prova difícil, mas Abraão confiou que DEUS iria fazer o melhor, pois Ele mesmo havia prometido que faria de Abraão uma grande nação.
Ainda apresentando Abraão, Tiago diz que “...o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé” (Tg 2.24). Como lidar então com essa declaração de Tiago? As obras seriam um complemento para a fé salvífica?
Tiago busca a praticidade da fé na vida cristã. Ele não declara em momento algum que as obras salvam, se não a fé em JESUS seria incompleta. Nem está colocando em cheque os ensinos de Paulo sobre a salvação pela fé. O que ele está argumentando é que a fé precisa ser demonstrada em atitudes. Matthew Henry coloca esse assunto assim:
Quando Paulo diz que “o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rm 3.28), ele claramente fala de um outro tipo de obras do que Tiago tem em mente. Paulo fala em obras realizadas em obediência à lei de Moisés, e antes de os homens abraçarem a fé evangélica. E ele estava lidando com aqueles que se valorizavam tanto por conta das obras que rejeitavam o evangelho (como Romanos 10 declara expressamente no início); mas Tiago fala de obras realizadas em obediência ao evangelho, e como efeito e frutos apropriados e necessários da sólida fé em JESUS CRISTO.
Ambos estão interessados em exaltar a fé do evangelho, como aquele que somente pode nos salvar e justificar; mas Paulo o exalta ao mostrar a insuficiência de quaisquer obras da lei antes da fé, ou em oposição à doutrina da justificação por JESUS. Tiago exalta a mesma fé, ao mostrar que são as realizações e os produtos genuínos e necessários dela.
Ainda dentro desse enfoque, Matthew Henry continua:
Paulo não somente fala de obras diferentes daquelas em que Tiago insiste, mas ele fala em um uso completamente diferente que era feito das boas obras daquele que aqui é instado e intencionado. Paulo estava lidando com aqueles que dependiam de suas obras aos olhos de DEUS, e Ele poderia muito bem torná-los sem valor. Tiago estava tratando com aqueles que exaltavam a fé, mas não permitiam que as obras fossem usadas nem como evidência; eles dependiam de uma mera profissão de fé, como suficiente para justificá-los; e com esses ele bem teria de reforçar a necessidade e a grande importância das boas obras.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 89-90.

Tg 2.21-24 O Argumento de Abraão
O versículo 21 fala de Abraão como sendo justificado pelas obras. Isso parece estar em contradição direta com Paulo, que escreveu: “Creu Abraão [tinha fé] em DEUS, e isso lhe foi imputado como justiça” (Rm 4.3; cf. G1 3.6). Tanto Tiago quanto Paulo recorrem à verdade em Gênesis 15.6 para suportar seus argumentos. A reconciliação pode ser encontrada nos eventos específicos na vida de Abraão à qual Paulo e Tiago se referem; também no sentido em que usaram o termo justificado (v. 21).
Paulo refere-se à fé do patriarca Abraão no tempo em que DEUS prometeu dar-lhe um filho (Gn 15.1-6). A sua fé era uma fé que aceitava a promessa de DEUS sem ter provas concretas. Tiago, por outro lado, referiu-se à fé do patriarca quando ofereceu sobre o altar o seu filho (Gn 22.1-19). “Tiago não está falando da imputação original de justiça a Abraão em virtude da sua fé, mas da prova infalível [...] de que a fé que resultou nessa imputação era uma fé real. Ela se expressava em uma obediência tão completa a DEUS que 30 anos mais tarde Abraão estava pronto, em submissão à vontade divina, para oferecer o seu filho Isaque. O termo justificado nesse versículo significa na verdade ‘revelado para ser justificado’”.
A interação inseparável entre a fé cristã e a ação é deixada clara em uma tradução mais recente do versículo 22: “Você pode ver que tanto a fé como as obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras” (NVI). Se aceitarmos a evidência de Tiago, devemos aceitar sua conclusão: “Vocês vêem, portanto, que um homem é salvo pelo que ele faz, tanto como pelo que ele crê” (v. 24, A Bíblia Viva).
A expressão Abraão, o nosso pai (v. 21) é, às vezes, usada para apoiar o argumento de que os receptores dessa epístola eram judeus ou pelo menos de origem judaica. Mas o conceito de Abraão como o “pai dos fiéis” — gentios e judeus — era um conceito cristão do primeiro século (cf. Rm 4.16; G1 3.7-9).
Em apoio à realidade da justiça de Abraão, Tiago ressalta que ele foi chamado o amigo de DEUS (v. 23). Em 2 Crônicas 20.7, Abraão é chamado de “amigo [de DEUS], para sempre”; e em Isaías 41.8, DEUS chama Israel de “semente de Abraão, meu amigo”. Essa expressão “amigo de DEUS” parece significar “que DEUS não escondeu de Abraão o que propôs fazer (veja Gn 17.17). Abraão foi privilegiado em ver alguma coisa do grande plano que DEUS estava realizando na história. Ele exultou em ver o dia do Messias (veja Jo 8.56)”.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag.171-172.

A fé salvadora conduz à ação. Tiago cita dois exemplos de fé que produziram ação; primeiro, o exemplo de Abraão. Gênesis 15.6 diz que Abraão creu e isso lhe foi imputado para justiça. Gênesis 22.1-19 mostra a obediência de Abraão ao oferecer o seu filho para DEUS, crendo que DEUS poderia ressuscitá-lo (Hb 11.19). Abraão não foi salvo por obedecer a esse difícil mandamento. Sua obediência provou que ele já era salvo. Abraão não foi salvo pela fé mais as obras, mas pela fé que produz obras.
Como, então, Abraão foi justificado pelas obras, uma vez que já tinha sido justificado pela fé (Gn 15.6; Rm 4.2,3)? Pela fé, ele foi justificado diante de DEUS, e sua justiça foi declarada. Pelas obras, ele foi justificado diante dos homens, e sua justiça foi demonstrada. A fé do patriarca Abraão foi demonstrada por suas obras.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 53-54.

Tg 2.21 Tiago passa agora deste caso de estudo para os personagens históricos do Antigo Testamento, os quais ele espera que confirmem o que ele esteve ensinando a respeito da importância da fé ativa. Abraão era um dos personagens do Antigo Testamento mais reverenciado pelos judeus (veja Gn 11.27-25.11, para a biografia de Abraão). A obediência admirável de Abraão, a ponto de estar disposto a sacrificar o seu filho mediante uma ordem de DEUS, era a evidência das obras pelas quais Abraão foi justificado.
O que Abraão estava fazendo quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Ele estava confiando em DEUS. A lição que podemos tirar da vida de Abraão não é uma comparação entre os seus sacrifícios e os nossos. Nós podemos esperar que, de uma forma ou de outra, a nossa fé tenha que crescer de uma confiança interior às obras exteriores. No final, como Abraão, nós também teremos que responder a esta pergunta: “Será que eu confio verdadeiramente em DEUS?”
Tg 2.22 Abraão tinha uma grande fé em DEUS (Gn 15.6), mas Tiago destaca que a fé de Abraão era muito mais do que a simples fé no único DEUS - o fruto da grande fé de Abraão estava nas suas obras: pelas obras, a fé foi aperfeiçoada.
A sua fé produziu as suas obras, e as suas obras aperfeiçoaram a sua fé, o que significa que elas a “melhoraram” ou a “amadureceram”. Crentes amadurecidos e completos são produzidos por meio da perseverança em meio às dificuldades; a fé amadurecida e completa é produzida por meio de obras de obediência a DEUS. A fé e as obras não devem ser confundidas entre si, tampouco devem ser separadas.
Tg 2.23 Abraão tinha fé em DEUS, de modo que DEUS deu a Abraão o status de um relacionamento correto com Ele - e isto aconteceu antes das obras admiráveis de Abraão (tais como a sua disposição de sacrificar Isaque), antes mesmo que Abraão fosse circuncidado (veja as palavras de Paulo em Romanos 4.1-17). As Escrituras às quais Tiago se refere aqui constam em Gênesis 15.6; “E creu Abraão em DEUS, e foi-lhe isso imputado como justiça”.
Tiago mostrou que a justiça de Abraão era a base e a razão de todas aquelas obras. Devido à grande fé e obediência de Abraão, ele teve o status privilegiado de ser chamado “o amigo de DEUS” (veja também 1 Cr 20.7; Is 41.8). Demonstrar a nossa confiança em DEUS nos levará à comunhão com Ele, como aconteceu no caso de Abraão.
Tg 2.24 O homem é justificado pelas obras e não somente pela fé. Muitos disseram que esta declaração contradiz a opinião de Paulo, que escreveu: “O homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rm 3.28). Na verdade, se tanto Tiago como Paulo tivessem usado a palavra “justificado” da mesma maneira, este versículo contradiria o ensino de Paulo sobre a justificação somente pela fé. Mas, para Tiago, ser “justificado” refere-se ao veredicto final de DEUS sobre toda a nossa vida cristã, segundo o qual somos declarados justos por termos vivido uma vida que foi fiel até o final. Para Paulo, ser “justificado” refere-se à concessão inicial da justiça depois que uma pessoa aceita CRISTO. Para Tiago, “obras” (aquilo que fazemos) são os produtos naturais da fé verdadeira; para Paulo, “obra” (“obedecer à lei”) é aquilo que as pessoas estão tentando fazer para ser salvas. Para Tiago, a fé sozinha é uma crença superficial em um conceito; não há nenhum comprometimento ou transformação de vida.
Para Paulo, a fé é a fé salvadora - a fé que propicia uma união íntima com CRISTO e que resulta na salvação e na obediência. Paulo deixou claro que uma pessoa só entra no reino de DEUS pela fé; Tiago deixou claro que DEUS exige boas obras daqueles que estão no reino.
Uma pessoa só recebe a salvação pela fé, e não realizando obras de obediência. Mas uma pessoa salva realiza obras de obediência por causa daquela fé. Para as pessoas que confiam na sua “ocupaçáo” religiosa para a sua salvação ou para o seu mérito diante de DEUS, as palavras de Paulo são cruciais – estas obras sozinhas não podem fazer nada para salvá-las. Para as pessoas que confiam na sua concordância intelectual com uma crença, apenas com um comprometimento verbal, as palavras de Tiago são cruciais - a sua fé sozinha não pode fazer nada para salvá-las.
Duas perguntas breves que nos ajudam a monitorar a nossa saúde espiritual são: Em quem estou confiando? E: Por que estou trabalhando? Se nós confiamos em alguém (inclusive em nós mesmos) além de CRISTO como a fonte e o provedor da nossa justificação, estamos perdidos. Se nós estamos agindo por qualquer razão que não seja a obediência e a ação de graças a CRISTO por tudo o que Ele fez por nós, estamos perdidos. E somente em CRISTO que podemos encontrar verdadeiramente a nossa salvação. Da nossa confiança nele é que surgirão as obras.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 675-677.

Tg 2.21 “Não foi nosso Pai, Abraão, justificado por obras, quando ofertou Isaque, seu filho, sobre o altar?”: Js 24.2 afirma que também Abraão teria servido “a outros deuses além do rio Eufrates”. DEUS o chamou por liberdade e graça, e não porque Abraão tivesse sido uma “categoria especial” em termos morais ou religiosos. Abraão creu nessa escolha misericordiosa de DEUS para um serviço especial, também por meio do povo que descenderia dele (a despeito de todas as evidências). Em virtude dessa fé DEUS justificou Abraão (Gn 15.6; Rm 4.3; Gl 3.6).
Contudo, ao mesmo tempo a fé de Abraão também foi ação. Isso se evidencia particularmente no começo e no final de sua trajetória de fé: na partida (Gn 12.4) e ao se dirigir ao monte Moriá, onde deveria sacrificar o filho (Gn 22). Do contrário DEUS não o teria usado para seus objetivos, e sua fé não teria sido aprovada. A fé de Abraão, portanto, foi também um renovado ato de fé. Não teria bastado se Abraão tivesse permanecido em sua tenda, imerso em reflexões devotas. Constantemente tinha de pôr-se a caminho. Também hoje a fé, para ser genuína, precisa pôr-se a caminho regularmente, rumo à terra desconhecida, a tarefas complexas e a sacrifícios.
Tg 2.22 “Aí vês como a fé operava juntamente com as suas obras”: fé e obras não podem ser separadas, assim como acontece com raiz e fruto. Juntas constituem o todo.
“A fé foi aperfeiçoada por meio das obras”: uma macieira fértil é macieira durante o ano todo, no sentido pleno, porém, ela ainda não é macieira no inverno, mas apenas no outono, quando de fato está coberta de frutos maduros. Nesse sentido é somente o fruto que plenifica a fé. – Outro aspecto é que o fruto também tem repercussões para a própria fé. Abraão não retornou do Monte Moriá da forma como foi para lá: experimentara um grande fortalecimento e incremento em sua fé. Não os teria obtido se tivesse permanecido em casa e se negado a obedecer. Atualmente é frequente a busca por fórmulas para estimular as pessoas na fé, e chega-se às mais exóticas respostas. Aqui nos é dito singelamente: viva a obediência da fé, dê passos de fé, sirva com fé, sofra pela fé, e ela se fortalecerá e será aperfeiçoada! Obediência e conhecimento estão interligados. JESUS afirma: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de DEUS ou se eu falo por mim mesmo” (Jo 7.17). Em contraposição, o conhecimento já obtido se dissipa e desaparece em decorrência da obediência negada. Também nesse caso vale: “Ao que não tem, até o que tem lhe será tirado” (Mt 25.29).
Tg 2.23 “É assim que se cumpre a palavra da Escritura (Gn 15.6)”: Pelo fato de que DEUS escolheu a Abraão sem mérito e dignidade e de ele o aceitar e se deixar engajar por isso, ele é correto para DEUS, ou melhor, DEUS o declara justo. Passou a ser chamado “amigo de DEUS”, amado e íntimo (cf. Is 41.8; também Êx 33.11). Quem vive na comunhão com nosso Senhor JESUS CRISTO, quem aceita sua graça e se encontra no discipulado e na obediência dele torna-se amigo dele (Jo 15.15). E JESUS declara: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9).
Tg 2.24 “Vedes que uma pessoa é justificada por causa de suas obras e não simplesmente da fé”: Tiago chega a essa conclusão geral. Paulo, porém, escreve: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3.28). Não sabemos qual carta foi escrita antes, a carta aos Romanos ou a carta de Tiago. Tampouco sabemos – na hipótese de que a carta aos Romanos seja a mais antiga – se Tiago viu uma das cópias da carta de Paulo, que certamente eram raras. Com suas palavras poderia ter-se dirigido apenas contra um Paulo mal-interpretado, contra a opinião de que a graça seria como uma poltrona confortável. No mais os dois “trens” não colidem, porque não andam sobre os mesmos trilhos. Em Rm 3.28 está em jogo a questão de como, afinal, acontece a aceitação do pecador por DEUS (na parábola de Lc 15.11ss: o filho pródigo aceito pelo pai). Paulo diz: não por “obras da lei”, ou seja, não quando o filho cumpre quaisquer condições prévias, mas unicamente pela aceitação confiante da bondade do Pai. Tiago, porém, tem em vista outra questão: como o filho aceito misericordiosamente passa a se conduzir na casa do pai; a aceitação da bondade do pai tem de ser sucedida pela disposição de se deixar engajar por essa bondade. DEUS nos acolhe assim como somos, mas ele não nos deixa permanecer como somos.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

3. Raabe.
Raabe é trazida como um exemplo de fé na Carta de Tiago. Primeiro o apóstolo fala de Abraão, o pai da nação israelita, mas depois apresenta uma mulher igualmente de fé. A origem de ambos é diferente, mas a Bíblia apresenta no texto os atos de cada um relacionados com suas crenças.
Raabe era uma prostituta de Jericó. Ela ganhava a vida oferecendo seu corpo para saciar a lascívia dos homens. Ela não conhecia ao Senhor, mas depois que soube o que DEUS fez com Israel, abrindo o rio Jordão na época da cheia, seu coração se encheu de temor e fé no DEUS dos hebreus. Sua fé foi de tal forma impressionante que ela escondeu em sua casa os espiões que Josué mandou para verem a cidade, e além de os esconder, orientou que fossem por um caminho diferente do caminho de seus perseguidores.
Esse foi sem dúvida um ato de fé. Ela colocou sua própria vida em risco para proteger os espiões de Israel, mas por sua fé, por crer que DEUS realmente iria destruir aquela cidade, ela não apenas protegeu os emissários de Josué, como também pediu por sua própria vida e pela vida de seus parentes.
Aqui cabe uma observação.
Dentro dessa mesma narrativa associada à queda de Jericó, em que uma mulher ímpia aprendeu a ter fé em DEUS, vemos o caso de Acã, um homem do povo de DEUS que não pensou duas vezes para roubar aquilo que DEUS disse que não deveria servir de despojo de guerra.
E uma conclusão triste, mas real. E possível encontrar em nossos templos pessoas que congregam conosco mas que perderam o temor ao que DEUS ordena, mas também podemos encontrar fora da igreja pessoas que terão mais fé naquilo que DEUS falou.
Tiago usa as figuras de Abraão e de Raabe como exemplo de que não basta apenas ter uma fé, e sim que é preciso colocá-la em prática. Fé não pode ser um conceito doutrinário pronto apenas para ser apresentado e ensinado, mas acima de tudo, vivido. E essa fé pode ser manifesta de diversas formas. Abraão tinha uma promessa de DEUS para sua vida, a de que seria pai de uma grande multidão de pessoas. Raabe não tinha nenhuma promessa, mas confiou em DEUS mesmo assim, com base no que ela ouviu sobre o que o Eterno tinha feito, e foi salva junto com sua família.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 90-92.

Tg 2.25 Tiago escolheu Raabe, a meretriz (v. 25) para seguir o exemplo de Abraão, o fiel, em sua exposição de provas do Antigo Testamento, de que a fé não funciona sem obras. Nesse caso, recebe o apoio do autor aos Hebreus (cf. Hb 11.17-19, 31). Tiago parece enfatizar que o princípio que ele tem defendido é universal e que não há espaço para exceções. Ele cita Raabe, que era “gentia, mulher e prostituta”.
Em Hebreus, o autor ressalta que a ação de Raabe era “por fé”. Tiago não nega isso, mas insiste que ela foi justificada pelas obras, no sentido de que suas ações eram uma prova da sua fé. “Ela cria em DEUS e evidenciou a sua fé pelo transtorno que enfrentou ao receber os espiões e auxiliá-los a escapar, arriscando a sua própria vida. Certamente, essa não era uma fé comum!”
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 172.

Segundo, o exemplo de Raabe. Ela creu e agiu. Ela ouviu a Palavra de DEUS e reconheceu que estava em uma cidade condenada. Ela não somente entendeu a mensagem, mas seu coração foi tocado (Js 2.11), e assim fez alguma coisa: protegeu os espias (Hb 11.31). Ela arriscou sua própria vida para proteger os espias. Mais tarde ela fez parte do povo de DEUS (Mt 1.5) e tornou-se membro da genealogia de CRISTO. Isso é graça que opera a fé salvadora.
O apóstolo Paulo diz que do mesmo jeito que somos destinados para a salvação, somos também destinados para as boas obras. Se a ordenação é determinativa no caso da salvação, também o é no caso das boas obras. A salvação é só pela fé, mas por uma fé que não está só. Uma fé viva se expressa por obras, ou seja, uma vida que traz glória a JESUS.
Paulo ainda nos exorta a um auto-exame; “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que JESUS CRISTO está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2Co 13.5). A fé salvadora precisa ser examinada; houve um tempo em que, sinceramente, reconheci meu pecado diante de DEUS? Houve um tempo em que meu coração desejou fortemente fugir da ira vindoura? Houve um tempo em que compreendi que CRISTO morreu pelos meus pecados e já confessei que não posso salvar-me a mim mesmo? Houve um tempo em que sinceramente eu me arrependi de meus pecados? Houve um tempo em que realmente depositei minha confiança no Senhor JESUS? Houve um tempo em que de fato houve mudança em minha vida? Desejo viver para a glória de DEUS, pregar a salvação para os outros e ajudar os necessitados? Tenho prazer na intimidade com DEUS? Se você pode responder a essas perguntas positivamente, então os sinais da fé verdadeira estão presentes na sua vida.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 54-55.

Tg 2.25 Da mesma maneira, até mesmo Raabe, a meretriz, foi também justificada pelas obras. O julgamento final sobre a vida de uma pessoa leva em consideração a justiça que esta pessoa mostra por meio de suas obras. Mas, por que Tiago menciona Raabe? Depois de falar da grande fé de Abraão, o patriarca de Israel, Tiago citou o exemplo de Raabe, uma mulher pagã que tinha uma má reputação (veja Js 2.1-24; 6.22-25).
Porém, estas duas pessoas, por mais opostas que fossem, consolidaram o argumento de Tiago – as duas tinham sido justificadas com base nas obras que resultaram da sua fé. O contraste não é entre a fé e as obras, mas entre a fé genuína e a falsa.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 677.

III- A METÁFORA DO CORPO SEM O ESPÍRITO PARA EXEMPLIFICAR A FÉ SEM OBRAS (Tg 2.26)
1. Uma analogia do corpo sem espírito.
Um dos pressupostos do cristianismo é que a vida é um dom de DEUS, e esse presente é fruto da junção da parte material do ser humano (o corpo) e a parte imaterial (alma e espírito). Isso significa que se alguma dessas duas partes se separar, a vida se extingue. A morte separa essas partes. Nesses casos, não resta nada ao corpo a não ser sepultado, para que se decomponha.
Tiago apresenta esse recurso comparativo para mostrar o quanto uma fé sem prática é ineficaz. Um corpo sem espírito pode ser completo, mas está morto. Ele possui coração, pulmões, cérebro, membros, sistemas digestivo, nervoso, respiratório e circulatório, mas nada disso funciona porque nele não há vida. Uma vez morto, o corpo se degenera, exala mau cheiro e se torna repugnante para as pessoas. Para esse ser que antes estava vivo, nada mais resta senão ser sepultado, ou contaminará o ambiente dos que estão vivos.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 92.

Tg 2.26ª Este versículo se parece com o décimo sétimo versículo, onde a ideia é amplamente comentada, exceto que ali há a pequena ilustração do corpo, que é morto se não tiver espírito. O autor sagrado exibe, incidentalmente, sua crença na inseparabilidade entre o corpo e a alma, dando a entender a imortalidade desta última.
Este versículo, que declara que a fé pode estar morta como um cadáver, se não for acompanhada por suas obras, é uma conclusão apropriada para a secção inteira; e esse pensamento já foi expresso, nos versículos dezessete e vinte, de maneira levemente diversa. Apesar de que poderíamos esperar que a fé fosse representada pelo espírito, e que as obras representassem o corpo, o autor sagrado reverte isso. O fato que as obras são equiparadas ao espírito, que dá vida ao corpo, mostra que o autor sagrado sob hipótese alguma elevava a fé acima das obras. Antes, ele deixa claro que formam uma união perfeita, igualmente necessárias para a justificação do crente.
No dizer de Ropes (m loc.): «...para Tiago, a fé e as obras cooperam para garantir a justificação; e pelas obras a fé é mantida viva. Assim, pois, o corpo e o espírito cooperam para garantir a continuação da vida. e, pelo espírito, o corpo é conservado em vida. Quando se dá ao vigésimo segundo versículo o seu sentido verdadeiro, pode-se perceber que o paralelo é melhor do que geralmente se pensa».
«...espírito...» O espírito imortal está em foco, e não a "respiração". O judaísmo helenista chegou a rejeitar o pensamento do judaísmo mais antigo sobre a natureza metafísica do homem. No Pentateuco, o homem é visto meramente como um ser físico animado, devido à ação do "sopro" de DEUS sobre ele. Porém, ali não há qualquer doutrina declarada de um espírito imortal; pois, ao morrer o homem, não se espera que o ser essencial sobreviva. A imortalidade da alma foi uma doutrina desenvolvida fora da cultura judaica, em vários lugares do Oriente; e sua primeira declaração formal foi feita por Platão, embora haja declarações na filosofia grega anteriores a ele quanto a isso. Porém, o judaísmo helenista veio a aceitar essa doutrina, e normalmente cria que a alma é preexistente em relação ao corpo, não sendo criada por ocasião do nascimento (criacionismo), e nem surgindo como parte da reprodução (traducionismo). Era natural, pois que muitos rabinos, especialmente fariseus, tivessem aceitado a reencarnação como uma verdade da experiência humana comum. Julgar que Tiago usa a palavra «espírito», neste caso, apenas como «respiração», «hálito», e não como o homem essencial, é supor que ele rejeitava a teologia comum a seus dias tendo voltado à teologia mais primitiva, o que é altamente improvável.
Seria coisa desnatural e impossível um corpo humano existir vivo sem o espírito. Assim também a fé é desnatural, e está morta, quando não é acompanhada por suas obras. E isso envolve qualquer tipo de fé, mesmo tão genuína como a de Abraão, contanto que não seja fingida. Nossa fé pode aceitar todos os conceitos ortodoxos, e podemos confiar verdadeiramente em DEUS; mas, se ela não for acompanhada por obras de fé, isto é, a obediência à sua lei, então tal fé será morta, não servindo mais para a justificação ou para a obtenção da aprovação divina. Porém, a fé e suas obras, se permanecerem juntas, serão vivas, conseguindo a aprovação de DEUS; e é disso que consiste a salvação.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 51-52.

Tg 2.26ª  E agora, o apóstolo chega à conclusão de toda a questão: “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (v. 26). Essas palavras são lidas de diferentes formas; alguns as leem assim: Assim como o corpo sem respiração está morto, assim é a fé sem obras. E então eles mostram que as obras acompanham a fé, assim como a respiração acompanha a vida. Outros as leem assim: Assim como o corpo sem a alma está morto, assim a fé sem obras está morta também. E então eles mostram que assim como o corpo não tem ação, nem beleza, mas se torna uma carcaça repugnante, depois que a alma se foi, assim uma mera profissão sem obras é inútil, aliás, repugnante e ofensiva.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 837.

Finalmente, Tiago usa a ilustração do corpo (v. 26) que sem espírito está morto, para mostrar a conclusão que deseja confirmar. Um corpo sem espírito não passa de um cadáver, inerte, sem possibilidade de se movimentar, pensar agir ou mostrar qualquer sinal de vida. Boas obras não podem ser realizadas por pedras; nem um corpo morto pode produzir ações. Igualmente impossível seria que a fé transformadora deixasse de produzir manifestações dessa fé. A fé como a própria vida mostra que existe por suas ações.
O autor de Hebreus também concorda com esse ensinamento de Tiago. “A terra, que absorve a chuva que cai frequentemente, e dá colheita proveitosa àqueles que a cultivam, recebe a bênção do Senhor. Mas a terra que produz espinhos e ervas daninhas, é inútil e logo será amaldiçoada. Seu fim é ser queimada” (Hb 6.7,8). Fé morta, como terra cheia de espinhos e ervas daninhas, produz apenas “obras mortas” (Hb 9.16), isto é, atos que não revelam um relacionamento vivo com DEUS por meio do ESPÍRITO SANTO. Se um cristão professo não nasceu de novo (Jo 3.3,5), suas obras devem ser enterradas como o são os cadáveres!
Russell P. Shedd,. Edmilson F. Bizerra. Uma Exposição De Tiago A Sabedoria De DEUS. Editora Shedd Publicações.

2. Da mesma maneira: fé sem obras é morta.
A fé sem obras é igualmente passível de ser extinta, de ser apenas um movimento intelectual. Pode haver teologia, mas sem prática da fé cristã demonstrada nas obras, a teologia será apenas um pensamento distante, mesmo que ortodoxo.
Já vimos que Tiago e Paulo não se chocam quando tratam de fé e obras. Eles escrevem sobre o mesmo assunto de forma diferente para públicos e situações diferentes. “A justificação de que Paulo fala é diferente da tratada por Tiago; uma fala de nossa pessoa ser justificada diante de DEUS, a outra fala da nossa fé ser justificada diante dos homens.”
O apelo de Tiago é para que os cristãos demonstrem suas obras como uma representação de sua fé. Trata-se de um desafio diário, não um momento estanque e único na vida de uma pessoa.
Timothy B. Cargal informa que há um jogo de palavras na sentença de Tiago: “A fé sem as obras (ergon) é morta {arge, isto é, a + ergon, sem efeito). Sabemos que uma pessoa recebe a salvação pela fé, mas deve demonstrar sua fé por meio das obras. A fé correta faz o crente agir de forma correta.
Assim completamos este estudo. A fé deve nos mover em prol de boas ações, não para ser salvos, mas para demonstrar que somos salvos, que nossa fé não é estática, e que DEUS pode usar nossas ações para fazer apresentar a fé pura e imaculada.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 92-93.

Tg 2.26 A fé e as boas obras são muito importantes uma para a outra, assim como o corpo é importante para o espírito. As boas obras não são acrescentadas à fé; na verdade, o tipo certo de fé é a fé que realiza “obras”, que resulta em boas obras. Se não fosse assim, o cristianismo não seria nada mais do que um conceito.
Ninguém é levado a agir se não tiver fé; a fé de uma pessoa não será real a menos que a leve à ação. A ação é a obediência a DEUS. Isto nos leva de volta às palavras de Tiago na primeira parte deste capítulo, a respeito do cuidado pelos outros. O crente deve fazer o que DEUS o chama para fazer - servir a seus irmãos e irmãs em CRISTO, recusar-se a discriminá-los, e ajudá-los com boas obras.
Entender como a fé e as obras trabalham juntas ainda não quer dizer que a nossa vida será diferente. Tiago está a ponto de continuar com uma série de situações de vida que todos nós iremos encontrar. É nestes eventos cotidianos que nós demonstramos se a nossa fé está viva ou morta. De tempos em tempos, precisamos checar a nossa pulsação espiritual, verificando se a nossa vida está de acordo com a Palavra de DEUS. Mas nós também precisamos ter pessoas ao nosso redor, o corpo de CRISTO, a quem possamos perguntar: “Como você me vê colocando em ação a minha fé em CRISTO?”
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 677.

Tg 2.26b O erro combatido por Tiago: «Algumas pessoas imaginam que podem agradar a DEUS se o acolherem no coração e na mente, mas pouco fizerem por ele com suas ações; e que, por isso mesmo, podem cometer pecados sem fazer violência à fé e sem temor; ou, em outras palavras, que podem ser adúlteros, mas, ao mesmo tempo, ser castos, que podem envenenar seus pais, e, contudo, ser piedosos! A julgar por tal raciocínio, aqueles que pecam, mas são piedosos, podem ser lançados no inferno, e, contudo, serem perdoados! Mas ideias como essas são produzidas pela hipocrisia de amigos declarados do Maligno.
Uma oração: Então a controvérsia ruge entre os legalistas e paulinistas. Mas Senhor enalteça minha espiritualidade acima das contradições onde uma teologia ataca outra, onde um homem, com expressão de sábio em sua face, odeia outro por suas opiniões serem diferentes. Que possa minha alma ao invés disto clamar. Quanto de CRISTO tem-se formado em mim? Se sou obrigado a responder - pouco, de que vale minha teologia? Que valor pode possuir opinião certa para mim se o ESPÍRITO não tiver controle sobre meu espírito, se outros à minha volta, cheios de necessidades, ouvem minhas trivialidades, mas por minha vida deparam-se com o nada.
Oh espírito meu! Compre o campo onde o tesouro precioso enterrado está. Oh alma minha! Dê toda a vida para encontrar aquela única Pérola de Grande Valor!
E afasta de ti aquela praia onde as ondas violentas da controvérsia teológica batem e tornam a bater incessantemente, onde homens sussurram e mutilam-se por línguas afiadas pelo sectarismo.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 52.

Tg 2.26. Tiago conclui esta passagem, reafirmando seu tema central: a fé sem obras é morta. Do mesmo modo que o corpo sem seu espírito vivificante, ou “fôlego de vida” (Gn 2.7), não passa de um cadáver, assim também a fé, sem as obras que lhe dão vitalidade, é morta. Novamente percebemos que Tiago está preocupado não com que as obras sejam “acrescentadas” à fé, mas, sim, com que se possua o tipo certo de fé, uma fé operante. Sem este tipo de fé, o cristianismo torna-se uma ortodoxia estéril e perde todo o direito de ser chamado de fé.
Um tanto quanto ironicamente, ninguém mais do que Lutero captou com tanta força a mensagem básica de Tiago 2.14-26 (em seu prefácio a Romanos):
“Oh! esta fé é uma coisa poderosa, sempre ativa e viva. Para ela, é impossível não praticar coisas boas sem cessar. Ela não pergunta se as boas obras devem ser praticadas, mas, antes que a pergunta seja feita, ela já as praticou e está constantemente a realizá-las. Portanto, qualquer pessoa que não pratica tais obras é uma descrente. Ela tateia e olha ao redor em busca de fé e boas obras, mas não sabe o que é a fé nem o que são as boas obras. Mas, mesmo assim, ela vive falando, usando muitas palavras, acerca de fé e boas obras”.
Douglas J. Moo. Tiago. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 116-117.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva com algumas modificações minhas - Ev. Luiz Henrique